REMEMORAR COM NOSTALGIA
INTRODUÇÃO
A exigência de construir este memorial será uma
oportunidade ímpar para meu crescimento acadêmico. Uma ação complexa para
relembrar e refletir sobre minha trajetória pessoal, acadêmica e profissional.
Será um momento de nostalgia, sobretudo das situações vividas que não mais
serão vivenciadas. Refletir sobre minha pessoa, minha subjetividade poderá
dar-me a oportunidade de um conhecimento profundo sobre minha vida que talvez não
tivesse em nenhum momento realizado tal ação.
Redigir este memorial, sem dúvida irá proporcionar-me
burilar meus conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Cada fase, cada etapa
de caídas e levantadas, além de experiência, foi também de aprendizado. Entretanto,
é necessário reflexão, somente relembrar não basta. Acredito, que há uma
intenção recôndita ao escrever este memorial, apesar de nem todos os
acontecimentos serem expostos. Assinalo, ao longo do discurso, momentos e
situações que julgo mais significativos.
O
início de tudo
Nasci numa madrugada friorenta do dia 20 de abril de
1979, numa casinha simples, na localidade de Água Suja, no município de
Bonfinópolis de Minas - MG, com a ajuda de duas parteiras (mulheres que não são
médicas, mas assistem e auxiliam a parturiente). Sou o primogênito de uma
irmandade de nove irmãos, filho de pais humildes, mas que sempre prezaram pelo
respeito ao próximo e a honestidade, valores que repasso também a meus filhos.
Nasci no seio de uma família simples, mas que o básico nunca faltou, inclusive
o amor e a esperança por dias melhores.
Até parte da minha terceira infância, morei próximo a
meus avós maternos e paternos, o que me fez ser uma criança literalmente feliz.
Brincava de carrinho de "marmelada", jogava bola e a bola era
"lobeira" (uma espécie de fruto do cerrado mineiro que parece uma
bola de futebol) e subia em árvores com meus tios de dois e três anos mais
velhos do que eu. Com cinco e/ou seis anos de idade já ajudava meu avó paterno
nos afazeres da fazenda. Auxiliava no plantio de cana, mandioca e
"guiava" os bois para ele transportar alguma coisa no carro de boi, o
que me traz boas lembranças, não podendo esquecer de quando eu abria a porteira
do curral para soltar os bezerros, um de cada vez, na qual Vovô Gabriel (in
memoriam) colocava para apojar na teta
da vaca e o leite em seguida, com suas mãos calejadas ele mesmo ordenhava.
Quanta saudade eu tenho dessa época!
Um episódio que não posso deixar de relatar, apesar de eu
não recordar, mas minha mãe sempre rememora: foi quando eu coloquei doce na
boca de minha irmã, sendo que ela tinha apenas alguns meses de vida, por sorte
minha mãe chegou e não matei-a engasgada. Me recordo quando eu e minha irmã
aprontávamos alguma peraltice e minha mãe muito nervosa, com uma varinha bem
fininha, pegava primeiro minha irmã e batia, enquanto eu corria em volta da casa,
mas em seguida, era a minha vez, não tinha como escapar. Varadas que doíam e ao
mesmo tempo nos educavam, pois minha mãe batia com amor e não nos espancavam.
Outro fato que marcou muito minha infância, foi quando
ganhei de presente do meu tio meu primeiro e único carrinho. Era um carrinho
que quando eu brincava, tinha um leãozinho de plástico em sua carroceria que ia
girando, o que para mim era um momento deleite, pois eu brincava muito sozinho
e envolvia horas e horas com o brinquedo que eu tanto gostei.
Anos Iniciais do Ensino fundamental
Aos sete anos de idade ingressei na primeira série do
Ensino Fundamental na Escola Municipal Henrique Luiz Brandão, zona rural de
Bonfinópolis de Minas - MG. Não tive a oportunidade de cursar a Educação
Infantil, portanto saltei a etapa da psicomotricidade e a maioria das
atividades de coordenação motora, o que não foi empecilho para no final daquele
ano eu estar totalmente alfabetizado, ou seja, em apenas uma ano, aprendi a ler
e a escrever. Foram meus primeiros passos para dar continuidade aos estudos, em
busca do tão sonhado saber acadêmico. Menciono aqui, minha primeira professora,
também minha prima, inesquecível paradigma de professora alfabetizadora.
Atualmente, somos colegas de trabalho, ela aposentada em um cargo e daqui a
alguns poucos anos logrará êxito na merecida aposentadoria do segundo cargo.
Não posso deixar de ementar nesta fase estudantil, na
festinha das mães, eu ainda na primeira série, a professora preparou eu e minha
colega para homenagear as mães. Minha colega logo começou "Batatinha
quando nasce, esparrama pelo chão, mamãezinha quando dorme põe a mão no
coração". Em seguida, seria a minha vez de declamar, mas me deu um branco
e na hora me esqueci o que iria pronunciar. Na hora, não lembrei o verso, porém
depois nunca mais me esqueci aquela minha fala que não veio à memória "Sou
pequenino do tamanho de um botão, carrego papai no bolso e mamãe no
coração".
Para ingressar nos estudos, ganhei de minha avó materna
(minha madrinha de batismo) uma pasta azul de plástico para carregar o material
escolar, um lápis, uma borracha (de duas cores - vermelho e azul) e um caderno
em espiral. No primeiro dia de aula, fui imensamente feliz com meus tios,
andando a pé por três quilômetros da minha casa até a escola. Quando cheguei à
sala de aula, fui retirar meu material para iniciar a primeira atividade,
treinar a coordenação motora com os "L" juntos, que no início só
fazia de cabeça para baixo, para a minha triste surpresa meu lápis não estava
na pasta, havia perdido-o na estrada. No desespero, com receio da professora
chamar minha atenção, pedi meu tio um emprestado, mas ele só tinha um lápis de
cor preto, peguei esse mesmo. Na volta para casa, quanta hilaridade! Encontrei
meu "lápis novo" perdido numa moita de capim!
Nesta escola, frequentei até a terceira série, quando
meus pais resolveram mudar para o município de Arinos - MG, há aproximadamente
uns quarenta quilômetros de distância da localidade onde nós morávamos. Cursei
a quarta série na Escola Municipal Rural Alberto Santos Dumont, com a
professora Maritânia, também uma exímia profissional. Andava a pé todos os
dias, cerca de cinco quilômetros para ir e para voltar, dez quilômetros
diariamente, mas foi uma fase ditosa de minha vida estudantil. Nessa fase, a
tecnologia era escassa, pelo menos para mim que residia numa localidade longe
dos grandes centros urbanos. Entretia com brincadeiras, tais como: roubar
bandeira, pique pega, pique esconde, salve latinha, pedir cantinho, corre
cutia, amarelinha, futebol e queimada com bola de meia velha, balançar em
galhos de árvore, dentre outras, mas era uma criança resiliente e sobretudo
feliz, mesmo com a inópia que estava a meu alcance. A rapadura com queijo, o
requeijão caseiro e a farofinha de ovo era o lanche preparado com tanto esmero
pela minha mãe. Lanche este, que eu levava para a escola e ainda dividia com
meus colegas de classe e confraternizava com tamanha singeleza.
Anos
Finais do Ensino Fundamental
A quarta série concluída e o Ensino Fundamental II estava
a mais de quinze quilômetros de distância. O que fazer para superar esse
entrave? O governo não oferecia transporte escolar ainda. Meus pais não
poderiam deixar o seu pedacinho de "chão", o sustento da família para
me acompanhar. A solução então encontrada por eles foi me levar para morar de
favor, durante a semana, na casa de amigos da "família", no distrito
de Sagarana, município de Arinos - MG, onde principiei meus estudos na Escola
Estadual Vasco Bernardes de Oliveira, escola em que frequentei por quatro anos,
até concluir a oitava série do Ensino Fundamental.
Foi uma fase muito difícil na minha vida, devido eu ser
muito apegado (ainda sou até hoje) aos meus pais, ficar fora de casa no decorrer
da semana seria terrível! Quantas vezes eu me peguei chorando, ao sair de casa,
pois não conseguia ficar distante de meus pais. Inventava dores de cabeça e de
barriga para não ir. Mas eu tinha somente duas opções: ficar fora de casa e
estudar ou voltar para casa e abandonar a escola. Diante da situação, eu
refletia sobre meu futuro sem estudo e optava pelo sofrimento longe de meus
pais e garantir um futuro melhor. Contava cada segundo, minuto, hora, dia... para
chegar o final de semana e voltar para casa.
Nesse ir para Sagarana no início da semana e voltar para
casa aos finais de semana, tive muitas dificuldades no que se refere
principalmente a transporte. Meus pais não tinham carro. Então, o transporte
era cavalo, bicicleta e muitas vezes à pé. Várias vezes andei a pé por quinze
quilômetros, mas desistir jamais! Quatro anos pareceu uma eternidade, mas
passou.
Tive admiráveis professores. A escola era magnífica! No
final de cada bimestre, havia uma recuperação bimestral, aqueles que não
ficavam com a nota abaixo da média, tinha uma semana de folga. Sempre me
dedicava e não ficava de recuperação com o intento de ir para casa, ficar com
meus pais.
Um acontecimento considerável que me recordo bem: eu
estava cursando a sexta série e aconteceu uma palestra sobre "Reprodução
Humana", proferida por um médico. Foi algo extremamente relevante não só
para mim, como também para toda a classe, pois tinha muitas dúvidas sobre essa
temática. Meus pais não me esclarecia sobre o assunto. Mas tanto eu, como meus
colegas, ficamos muito envergonhados e nossa reação era rir. Abaixávamos nossas
cabeças por entre as carteiras e ríamos muito, achamos demasiadamente engraçado
os esclarecimentos.
Entretanto, foi uma época de enorme aprendizado e de
momentos cômicos. Os professores eram muito eficientes. Eis alguns: a
professora Sueli, tão competente professora de matemática; o professor de
Língua Portuguesa Paulo, tão sábio e conhecedor do conteúdo; o professor de
História José Clair, tão eficiente que ditava a matéria sobre feudalismo sem
olhar no livro; a professora de Língua Portuguesa Zânia Domingues explicava a
matéria com tamanha eficácia e aplicava prova oral sobre conjugação verbal. Foi
realmente uma época de grande relevância para meu crescimento estudantil.
Ensino
Médio
Ao concluir o Ensino Fundamental (antigo 1º grau),
vislumbrava outro desafio pela frente. Sagarana não tinha o Ensino Médio. Seria
necessário ir para Riachinho - MG, distante a vinte quilômetros da casa de meus
pais. Mas era preciso continuar os estudos, não podia, nem queria parar.
Ingressei no Ensino Médio Técnico Magistério - habilitação professor de seres
iniciais, não existia outra modalidade de Ensino Médio na cidade. Não sabia
ainda se tinha vocação para ser professor, mas era o único que estava a minha
disposição.
Comecei o Ensino Médio. Sentia calafrios e dores de
barriga quando era necessário ir à frente da classe explicar trabalho, tal
prática era necessária, afinal eu estava estudando para ser professor. Com o
passar do tempo e as constantes idas à frente da sala de aula simulando a
prática de professor fui me avezando.
No terceiro ano do Ensino Médio participei do Estágio
remunerando por seis meses em uma classe de terceira série do Ensino
Fundamental. Acurei muito minha prática como professor. Ao concluir o Ensino
Médio tive a maior nota da turma em Estágio Supervisionado. Mas não sabia ainda
se realmente queria ser professor.
Trajetória
Profissional
Ensino Médio Técnico concluído. E agora, o que fazer? Ir
embora para a cidade grande em busca de oportunidades? Eis que surge uma vaga
para professor, contrato temporário para uma turma de segunda série, no ano de
1998. Fui indicado pela diretora da escola que cursei o Ensino Médio, por
acreditar no meu potencial e pela melhor nota de estágio da turma. Como estava
parado há dois meses sem estudar e sem trabalhar, resolvi assumir a turma. Fui
muito bem aceito pela comunidade escolar e comecei a gostar da profissão,
percebi que tinha vocação e muito a oferecer enquanto professor.
No ano seguinte, fui trabalhar na Escola Municipal Rural
Alberto Santos Dumont, onde havia cursado a quarta série, próximo à casa de
meus pais, numa turma multisseriada de 21 alunos, formada por alunos da
primeira, segunda, terceira e quarta série do Ensino Fundamental. A escola não
possuía nem cantineira nem fogão a gás. Além de exercer a função de professor,
deveria preparar o lanche no fogão à lenha e cuidar da limpeza. Desafio e
tanto! Mas por incrível que pareça foi fascinante trabalhar nesta escola. O
resultado foi surpreendente!
No início do ano 2000, essa escola encerrou suas atividades
em virtude da nucleação das escolas ocorridas no município de Arinos - MG. Fui
transferido para Escola Municipal Princesa Isabel, escola pólo distante a
quarenta quilômetros de Arinos - MG, onde trabalhei com uma turma de primeira
série com quarenta alunos, além de História e Educação Física na quinta e sexta
séries do Ensino Fundamental. Outro desafio, mas afinal já estava acostumado
com situações adversas, as encarava com entusiasmo e dedicação.
Em 2001 retornei para Riachinho e assumi uma turma de
primeira série do Ensino Fundamental. No final do corrente ano passei no
concurso para professor do município e no início de 2002 fui empossado, fazendo
parte do Quadro Permanente de Profissionais do Magistério da rede municipal de
Ensino de Riachinho - MG. De 2002 a 2004 ao mesmo tempo que atuava como
professor municipal, trabalhei também como ATB - Assistente Técnico da Educação
Básica na Escola Estadual José de Alencar.
No início do ano de 2005 fui indicado para diretor da
Escola de Ensino Especial Jesuíno Mendes Ferreira - APAE de Riachinho, onde
fiquei até 2008, época em que fui aprovado no concurso para Supervisor
Pedagógico na rede municipal de Ensino de Riachinho - MG, sendo necessário
deixar a direção da Escola da APAE, uma vez que já atuava também como
professor. Portanto, desde 2002 sou professor efetivo/concursado e desde 2008
sou supervisor pedagógico concursado, atuando em acumulação legal nos dois
cargos até hoje.
No período de 2013 a 2016 estive diretor da Escola
Municipal Diomedes de Araújo Valadares (escola em que atuo), indicado pelo
prefeito da época, exercendo cargo comissionado. Os desafios foram muitos, mas
com o espírito de união e equipe, conseguimos superá-los e elevar a escolar a
um patamar de excelência, no que tange a resultados de avaliações externas. Meu
lema enquanto diretor foi ser um profissional exigente, porém justo e humano.
O
Ensino Superior
O ingresso no Ensino Superior sempre esteve em meus
planos, embora o maior entrave era morar no interior distante das Instituições
que oferecem esse nível de ensino. Por sorte do destino, no ano de 1999, as
secretarias municipais de Educação do Noroeste de Minas realizaram um convênio
coma a UNIMONTES - Universidade Estadual de Montes Claros com o fito de formar
em nível superior seus professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Esta exigência estava expressa na LDB nº 9393/96 e foi criado nessa época o
Curso Normal Superior - habilitação para séries iniciais, licenciatura plena.
Em 1999, trabalhando no município de Arinos, fiz o
vestibular, na qual estava ofertando trinta vagas, somente para aquele
município, fiquei na sexta colocação, sendo portanto aprovado. Em janeiro do
ano de 2000 iniciei os estudos no pólo da UNIMONTES, em Buritis ( o pólo de
Buritis aglomerava também os municípios de Arinos, Urucuia e Formoso), na
modalidade semipresencial ( no formato modular presencial nos meses de janeiro
e julho). O curso realmente atendeu minhas expectativas, pois além de ser
ofertado por uma instituição de renome como a UNIMONTES, percebi que novos
horizontes estava conhecendo, através das análises críticas, reflexões que eram
feitas e os primeiros trabalhos de pesquisa.
Um acontecimento marcante ocorreu em minha vida nesse período. Iniciei os estudos
no dia 02 de janeiro de 2000 e as aulas iriam até o dia 29 de janeiro e meu
casamento estava marcado para o dia 08 desse mesmo mês. Consegui conciliar as
duas coisas, pois houve a compreensão e
o entendimento por parte de minha esposa. Concluí o Curso Normal Superior no
ano de 2002 com o sentimento e a alegria de estar recebendo um diploma duplo,
pois neste período também nasceu minha primogênita de um total de três filhos,
que hoje são um pedaço de mim e somos uma família feliz e abençoada por Deus.
Após a conclusão da Licenciatura em Normal Superior
fiquei um período sem estudar, o salário pífio de um cargo somente e já tinha
uma responsabilidade a mais: uma família para cuidar e manter. Surgiu uma
oportunidade de dobra de turno, logo decidi fazer uma especialização. Escolhi
Supervisão Escolar em virtude do art. 64 da LDB nº 9394/96 vir com a seguinte
redação: A formação de profissionais
de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação
educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em
pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino,
garantida, nesta formação, a base comum nacional. Como já possuía uma
licenciatura, fazendo uma Pós Graduação latu
sensu em Supervisão Escolar estaria legalmente habilitado. Concluí essa pós
graduação em 2006 na Universidade Cândido Mendes através do programa "A
vez do mestre", na modalidade EAD - Educação à Distância, sendo presencial
somente as provas de cada componente curricular. Recebia toda orientação à
distância para a realização da pesquisa, pois escrevi uma monografia com o
título "Inclusão, um direito de igualdade para todos". Foi uma fase
de grande aprendizado, me tornei um profissional mais autônomo, pois tinha que
estudar sozinho, sem a presença da
figura de um professor por perto.
Sempre estimei pelas áreas
das ciências exatas, apesar de ter trabalhado somente três meses nesta área.
Após concluir a Pós Graduação em Supervisão Escolar, descobri que inaugurava o
Curso de Licenciatura em Física na FINOM - Faculdade do Noroeste de Minas em
Paracatu - MG. Trabalha em dois cargos, mas era detentor de apenas um do quadro
efetivo, era uma oportunidade a mais para a carreira profissional. Me deparei
com desafios para realizar o curso de Física, uma vez que Paracatu está a mais
de duzentos quilômetros de Riachinho, teria que ficar os meses de janeiro e
julho fora de casa, sem descanso, pois o curso era modular. Sobretudo a
simpatia pelas ciências exatas, a vontade de crescer profissionalmente e outras
benesses que me traria, fez-me concluir mais um curso superior em 2009. Esse
amálgama na trajetória de minha formação levou-me a seguinte indagação: qual
caminho seguir, as ciências humanas ou exatas? Entretanto,
o pêndulo pendeu para o lado das humanas, em virtude da minha atuação
profissional ser a mais tempo nesta área, o que não me faz em momento nenhum
desprezar as exatas, apesar de ser professor de Física somente de formação.
Retornar à academia sempre esteve em meus propósitos. A
epistemologia, a pesquisa, o conhecimento... são premissas que me dão um certo
friozinho na barriga, mas me atrai. Sinto avidez pela gnosiologia! Outrossim,
deliberei que tentaria entrar no mestrado. Muitas vezes me peguei interrogando:
como fazer para passar no processo seletivo de mestrado, se é tão difícil e não
é para todos? Tentar em uma Instituição pública ou privada? E logo veio a
resposta: vou tentar em uma Instituição pública, apesar de ser mais difícil
passar no processo seletivo por ser literalmente concorrido, mas minhas condições
financeiras não permitem na privada.
Em busca de um sonho revestido de utopia, comecei o Curso
de Inglês (andando trezentos e sessenta quilômetros duas vezes por semana e
termino o curso avançado no final do corrente ano), ao mesmo tempo em que comprava
livros e estudava sobre: educação, pedagogia, filosofia e formação de
professor. No introito de 2018, por meio de redes sociais descobri o PROFEPT,
não pensei duas vezes, realizei minha inscrição, estudei e participei do
processo seletivo. Não obtive sucesso, pois fiquei no 14º lugar, era somente
nove vagas (ampla concorrência), mas desistir nunca esteve em meus projetos
pessoais e profissionais. Em dezembro de 2018, quando publicaram o edital para
o processo seletivo de 2019, já comecei a estudar, pois para mim só tinha duas
opções: passar ou passar, apesar de ser muito concorrido, mais de cem
participantes por vaga na modalidade que iria concorrer. Abstive de todo lazer
para investir na participação desse processo seletivo. Uma espécie de ansiedade
envolvida por expectativa, eu anseiava para olhar o resultado no dia em que foi
publicado. Para a minha felicidade, logrei êxito, ficando na posição nº 05 de
um total de nove vagas (ampla concorrência).
Nesta ocasião, quando encabeço os estudos no mestrado em
Educação Profissional e Tecnológica no IFB - Instituto Federal de Brasília,
passa pela minha cabeça um filme de toda a minha trajetória acadêmica, ao mesmo
tempo em que as emoções invadem o meu ser e as melhores expectativas eu
prenuncio. Conviver com professores de ponta (os do mestrado PROFEPT do IFB) e
colegas excepcionais, sem dúvida será um ensejo único para a construção de
novos conhecimentos, o meu fito número um quando decidi que iria tentar o
mestrado. A ansiedade com o produto que terei que realizar e aplicar, ao mesmo
tempo que os professores nos tentam acalmar, que o mesmo será conseqüência do
problema que irei definir para realizar a pesquisa. Agora será definir entre as
duas linhas de pesquisa: Gestão e Organização do Espaço Pedagógico em Educação
Profissional e Tecnológica e Práticas Educativas em Educação Profissional e
Tecnológica.
Minhas inquietações sobre o objeto de estudo
A linha de pesquisa em que escolhi foi Práticas
Educativas em Educação Profissional e Tecnológica pelo fato de aproximar com
minha vivência profissional.
O tema currículo integrado chamou-me a atenção por
diversos fatores. Dentre eles, o principal, acredito que seja uma forma de oportunizar a formação
humana ao sujeito. Nesse sentido, vejo que a integração curricular ainda está
permeada por desafios. Portanto, já percebo um problema, que ora irei pesquisar
e tentar oferecer alguma contribuição no meu campo de pesquisa, que a EFAN –
Escola Família Agrícola de Natalândia, uma escola que utiliza a proposta
metodológica da Pedagogia da Alternância. Que elementos pedagógicos estão ausentes para
colocar em prática o currículo integrado, na sua totalidade, no Curso Técnico
em Agropecuária integrado ao Ensino Médio na EFAN?
O objetivo geral é Identificar
os elementos pedagógicos que estão ausentes para colocar em prática o currículo
integrado no Curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio na EFAN,
propondo possíveis soluções para resolver a situação mencionada.
O objetivos específicos são:
·
Analisar, do ponto de
vista teórico, na literatura educacional, textos que tratam do currículo
integrado e também da pedagogia da alternância;
·
Verificar os documentos norteadores e a
legislação educacional que tratam sobre o Currículo Integrado;
·
Conhecer o processo formativo dos estudantes,
conforme a perspectiva de formação humana, integral, politécnica e omnilateral;
·
Descobrir os elementos pedagógicos que faltam
para colocar em prática o currículo integrado;
·
Elaborar um produto educacional com base nas
informações encontradas.
·
Demonstrar que é possível e necessário, num
curso em que vige a pedagogia da alternância, o trabalho de forma integral.
A pesquisa e estudo que irei realizar na EFAN – Escola Família Agrícola de Natalândia, ofertante do Curso Técnico em
Agropecuária integrado ao Ensino Médio traz em seu bojo o interesse em perceber os elementos pedagógicos ausentes
que impedem a prática do Currículo Integrado,
escola esta que utiliza a proposta metodológica da Pedagogia da
Alternância. Essa proposta consiste em
uma metodologia de organização do ensino escolar que conjuga diferentes
experiências formativas distribuídas ao longo de tempos e espaços distintos,
tendo como finalidade a formação profissional do jovem.
O
Ensino Médio Integrado à Educação Profissional não se limita à imbricação de
disciplinas técnicas à matriz curricular do Ensino Médio, necessita de uma
compreensão global do conhecimento. O currículo integrado responde a esse
desafio de atender a demanda do mercado de trabalho e formação necessária para
garantir a cidadania.
Na
EFAN a procura pela integração entre as 24 disciplinas técnicas às 15
disciplinas gerais é uma constante, porém percebe-se que muitas vezes existem
desafios e até mesmo a ausência de elementos pedagógicos que impedem essa
integração.
O
currículo integrado está entre as propostas de educação, cujo fito principal é
rompimento da ideia de neutralidade e é favorável aos processos de ensino e
aprendizagem que colabora com a emancipação do ser humano. Nesse sentido, a prática do currículo
integrado contribui com a formação omnilateral do sujeito, rompendo coma
dicotomia entre educação manual / intelectual, no qual todos os trabalhadores
serão dirigentes.
Para Ramos (2008) a integração entre
as disciplinas gerais com as especificas implica a integração das dimensões
fundamentais da vida: o trabalho, a ciência e a cultura organizam a prática
social. Nessa perspectiva, compreender a relação indissociável entre essas três
dimensões significa compreender o trabalho como princípio educativo, o que quer
dizer que o ser humano é produtor da sua própria realidade.
Em toda a minha trajetória pessoal, profissional e
acadêmica sou exageradamente grato a Deus e algumas pessoas (da minha família
ou não). Essa convivência com o próximo, com a pessoa humana me fez
surpreendentemente uma pessoa feliz e conhecedora de meus direitos e deveres,
enquanto cidadão de bem. Cada etapa, cada fase de minha vida foi e será de
aprendizado; aprendi e aprendo com momentos bons e ruins. Hoje tento ser melhor
que ontem e amanhã tentarei ser melhor que hoje, pois cada dia é um constate
aprender.
Me conhecer foi e será extremamente válido para essa nova
fase de minha vida, inclusive na trajetória acadêmica do mestrado que ora
principio. Alguns acontecimentos rememorados estavam recônditos e adormecidos e
esse pensar profundamente me fez realizar uma análise crítica, pois muita coisa
que fiz e vivi, hoje faria diferente em virtude de que cada dia que passa,
estou mais maduro e apto a realizar com maior sabedoria.
Julgo que consegui mostrar um pouco de minha vida
(inclusive para mim mesmo), sobretudo meu itinerário pessoal, profissional e
acadêmico pelo simples fato de existir e interagir na coletividade, no meio em
que estive e estou inserido, meus conhecimentos em diversos momentos vividos e
o que pretendo conhecer e realizar.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. LDB - Lei nº 9394/96 de 20 de dezembro
de 1996.
https://profept.ifb.edu.br/linhas-de-pesquisa.
RAMOS, Marise Nogueira. Concepção de Ensino Médio Integrado.
Natal, 2008.