O TRABALHO NO BRASIL
O 4º
episódio da série sobre os 50 anos do JN (Jornal Nacional), retrata bem a realidade
brasileira quando se menciona as mudanças que vêm ocorrendo no mundo do
trabalho. O desemprego, as metamorfoses, as perdas de direitos trabalhistas, a
tecnologia, a exploração do trabalho
infantil, a diferença salarial
entre homens e mulheres, dentre outros. São conceitos utilizados na
reportagem e que estão presentes no
dia-a-dia dos brasileiros.
O
problema do desemprego no Brasil não
é atual. Conforme a reportagem, nas décadas de 80 e 90 do século XX, nosso país
passava por momentos de crise no que se refere a vagas de emprego. A economia quase sempre viveu ciclos em que o
pleno emprego dava e dá lugar a períodos de taxas de desocupação muito grande. Atualmente,
os números de desempregados são alarmantes. Para Ernani Lúcio Pinto de Souza,
economista do Conselho Federal de Economia, a taxa
de desemprego no Brasil está em aproximados 12,5 por cento, segundo PNAD
Contínua (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua) de 2019, o que
em números absolutos significam aproximadamente 13 milhões de pessoas sem
trabalho.
Sobre as metamorfoses do
mundo do trabalho, o cenário é o seguinte: algumas profissões não existem
mais e outras apareceram. A indústria 4.0, o setor de serviços, o trabalho
intermitente está em alta. Ao que tudo indica, se busca mais a força
intelectual do trabalhador. Assim com as modalidades de trabalho, a classe
trabalhadora vem passando por mudanças. Antunes
(2018, p.89) afirma que “a classe trabalhadora hoje é mais ampla, heterogênea,
complexa e fragmentada que o proletariado industrial do século XIX e início do século XX.”
Com as reformas,
tanto a trabalhista como a da previdência, a classe trabalhadora acaba perdendo
direitos conquistados ao longo do tempo. Com a legalização do trabalho
intermitente, na reforma trabalhista, o trabalhador acaba não tendo segurança
de que vai estar empregado em um futuro próximo. O aumento da idade mínima para
se aposentar é um fator negativo para o trabalhador.
A
tecnologia interferiu profundamente
nas alterações no mundo do trabalho. São criadas no mundo todo com o intuito de aperfeiçoar produções. A influência da tecnologia no mercado
de trabalho tem exigido um novo comportamento profissional, em que as pessoas
adotam ferramentas modernas como aliadas em suas atividades. Entre os processos tecnológicos mais contemporâneos, estão a robotização e a
automatização, que favorecem os profissionais, principalmente no setor
industrial, à medida que melhoram e ampliam a mão de obra, permitindo uma
produção maior dentro de um período menor de tempo.
Outra
questão abordada na reportagem do JN e que em pleno século XXI ainda não está
resolvida é a exploração do trabalho
infantil. Haja vista que com a aprovação do Estatuto da Criança e do
Adolescente na década de 1990 essa situação tem melhorado. Os direitos das
crianças e dos adolescentes têm sido menos desrespeitados, porém ainda é muito grande o número de
crianças que deixam de estudar porque precisa trabalhar para ajudar no sustento
da família. Os casos mais evidentes de exploração
do trabalho infantil, como o comércio no trânsito, o
tráfico de drogas, a prostituição, a esmola porta a porta, serviços como
engraxate exercidos por crianças e adolescentes.
A participação da mulher no mercado de
trabalho tem ganhado destaque no cenário atual. Desde as últimas décadas do século XX, presenciamos um
dos fatos mais marcantes na sociedade brasileira, que foi a inserção, cada vez
mais crescente, da mulher no campo do trabalho, fato este explicado pela
combinação de fatores econômicos, culturais e sociais. A força feminina foi
marcante, porém sua valorização em termos de salário é mais desvalorizada do
que o trabalho masculino. Conforme a reportagem do JN, as mulheres entre 25 e
49 anos ganham 20,5% a menos que os homens. Portanto, esse gargalo ainda
precisa ser resolvido, pois a própria legislação vigente afirma não poder fazer
distinção de gênero, principalmente quando se trata de direitos.
Diante
deste cenário, com tantas modificações no mundo do trabalho, crises, desemprego,
reformas... O mundo do trabalho vem passando por inúmeras transformações nas últimas
décadas, especificamente a partir da década de 1990, em decorrência das mudanças
estruturais do capitalismo, dentre as quais as políticas neoliberais e a
globalização. Pode-se dizer que houve crescimento em alguns setores, porém,
retração em outros. Não é tarefa fácil promover um ensino de
qualidade, principalmente quando se trata da EPT, uma vez o que se privilegia é
a valorização do capital. Promover uma formação humana, integral, omnilateral
do sujeito, como é o ideal no ensino da EPT requer uma luta muito grande por
parte de todos os envolvidos, sejam professores ou não. Temos a nosso desfavor
um governo que não tem a mínima preocupação com uma educação em benefício da
classe menos favorecida, que precisa receber uma EPT, pois não tem condições
financeiras para cursar o Ensino Médio propedêutico e entrar direto no curso
superior.
Referências
ANTUNES, Ricardo. O Privilégio da Servidão: o novo
proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.
SOUZA, Ernani Lúcio Pinto de. Artigo Desemprego. Disponível em: https://www.cofecon.org.br/2019/06/13/artigo-desemprego/ . Acesso em: 27 de Nov. 2019.