quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O TRABALHO NO BRASIL O 4º episódio da série sobre os 50 anos do JN


O TRABALHO NO BRASIL

O 4º episódio da série sobre os 50 anos do JN (Jornal Nacional), retrata bem a realidade brasileira quando se menciona as mudanças que vêm ocorrendo no mundo do trabalho.  O desemprego, as metamorfoses, as perdas de direitos trabalhistas, a tecnologia, a exploração do trabalho  infantil,  a diferença salarial entre homens e mulheres, dentre outros. São conceitos utilizados na reportagem e que estão presentes no  dia-a-dia dos brasileiros.
O problema do desemprego no Brasil não é atual. Conforme a reportagem, nas décadas de 80 e 90 do século XX, nosso país passava por momentos de crise no que se refere a vagas de emprego.  A economia quase sempre viveu ciclos em que o pleno emprego dava e dá lugar a períodos de taxas de desocupação muito grande. Atualmente, os números de desempregados são alarmantes. Para Ernani Lúcio Pinto de Souza, economista do Conselho Federal de Economia, a taxa de desemprego no Brasil está em aproximados 12,5 por cento, segundo PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua) de 2019, o que em números absolutos significam aproximadamente 13 milhões de pessoas sem trabalho.
Sobre as metamorfoses do mundo do trabalho, o cenário é o seguinte: algumas profissões não existem mais e outras apareceram. A indústria 4.0, o setor de serviços, o trabalho intermitente está em alta. Ao que tudo indica, se busca mais a força intelectual do trabalhador. Assim com as modalidades de trabalho, a classe trabalhadora vem passando por mudanças.  Antunes (2018, p.89) afirma que “a classe trabalhadora hoje é mais ampla, heterogênea, complexa e fragmentada que o proletariado industrial do século  XIX e início do século XX.”
Com as reformas, tanto a trabalhista como a da previdência, a classe trabalhadora acaba perdendo direitos conquistados ao longo do tempo. Com a legalização do trabalho intermitente, na reforma trabalhista, o trabalhador acaba não tendo segurança de que vai estar empregado em um futuro próximo. O aumento da idade mínima para se aposentar é um fator negativo para o trabalhador.
A tecnologia interferiu profundamente nas alterações no mundo do trabalho. São criadas no mundo todo com o intuito de aperfeiçoar produções.  A influência da tecnologia no mercado de trabalho tem exigido um novo comportamento profissional, em que as pessoas adotam ferramentas modernas como aliadas em suas atividades. Entre os processos tecnológicos mais contemporâneos, estão a robotização e a automatização, que favorecem os profissionais, principalmente no setor industrial, à medida que melhoram e ampliam a mão de obra, permitindo uma produção maior dentro de um período menor de tempo.
Outra questão abordada na reportagem do JN e que em pleno século XXI ainda não está resolvida é a exploração do trabalho infantil. Haja vista que com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente na década de 1990 essa situação tem melhorado. Os direitos das crianças e dos adolescentes têm sido menos desrespeitados, porém ainda é muito grande o número de crianças que deixam de estudar porque precisa trabalhar para ajudar no sustento da família. Os casos mais evidentes de exploração do trabalho infantil, como o comércio no trânsito, o tráfico de drogas, a prostituição, a esmola porta a porta, serviços como engraxate exercidos por crianças e adolescentes.
A participação da mulher no mercado de trabalho tem ganhado destaque no cenário atual. Desde as  últimas décadas do século XX, presenciamos um dos fatos mais marcantes na sociedade brasileira, que foi a inserção, cada vez mais crescente, da mulher no campo do trabalho, fato este explicado pela combinação de fatores econômicos, culturais e sociais. A força feminina foi marcante, porém sua valorização em termos de salário é mais desvalorizada do que o trabalho masculino. Conforme a reportagem do JN, as mulheres entre 25 e 49 anos ganham 20,5% a menos que os homens. Portanto, esse gargalo ainda precisa ser resolvido, pois a própria legislação vigente afirma não poder fazer distinção de gênero, principalmente quando se trata de direitos.
Diante deste cenário, com tantas modificações no mundo do trabalho, crises, desemprego, reformas... O mundo do trabalho vem passando por inúmeras transformações nas últimas décadas, especificamente a partir da década de 1990, em decorrência das mudanças estruturais do capitalismo, dentre as quais as políticas neoliberais e a globalização. Pode-se dizer que houve crescimento em alguns setores, porém, retração em outros. Não é tarefa fácil promover um ensino de qualidade, principalmente quando se trata da EPT, uma vez o que se privilegia é a valorização do capital. Promover uma formação humana, integral, omnilateral do sujeito, como é o ideal no ensino da EPT requer uma luta muito grande por parte de todos os envolvidos, sejam professores ou não. Temos a nosso desfavor um governo que não tem a mínima preocupação com uma educação em benefício da classe menos favorecida, que precisa receber uma EPT, pois não tem condições financeiras para cursar o Ensino Médio propedêutico e entrar direto no curso superior.


Referências

ANTUNES, Ricardo. O Privilégio da Servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.
SOUZA, Ernani Lúcio Pinto de. Artigo Desemprego. Disponível em: https://www.cofecon.org.br/2019/06/13/artigo-desemprego/  . Acesso em: 27 de Nov. 2019.

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