segunda-feira, 26 de outubro de 2020

PADLET DA DISCIPLINA: AVALIAÇÃO NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS

 
























MINHAS EXPERIÊNCIAS JUVENIS

 

 

 

 


 

MINHAS EXPERIÊNCIAS JUVENIS

 

 

 

 

 

Mestrando: Belchior Ribeiro Leite

Disciplina: Juventude, Trabalho e Escola

Instituição: IFB – Instituto Federal de Brasília

Professor: Ailton Gonçalves Reis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Setembro/2020





INTRODUÇÃO

 

 

            O presente trabalho visa fazer uma breve retrospectiva em minha vida, sobretudo na época da minha juventude. “Vista na sua condição de transitoriedade, na qual o jovem é um “vir a ser”, tendo no futuro, na passagem para a vida adulta, o sentido das suas ações no presente” (DAYRELL, 2003, p. 40). Desse modo, o período da minha juventude foi uma fase de alegrias, mas também de sofrimentos, muitos desafios e maturidade precoce.

            É possível perceber que a juventude é uma fase que nem sempre tomamos decisões corretas, mas, sobretudo ir aprendendo a lidar com as decisões tomadas, sejam elas corretas ou não. No meu caso específico, as coisas foram acontecendo naturalmente, bem como a inserção social.

            Relatar fatos a nosso respeito não é nada fácil, mas de suma importância para nosso autoconhecimento, ainda mais que minha juventude foi um período sofrido, de muitas lutas, entraves diversos e me tornei adulto muito rápido. Portanto, logo que concluí o Ensino Médio, conciliei faculdade, casamento e trabalho, situação nada comum para um jovem de vinte anos.

           

 

DESENVOLVIMENTO

 

            Para início de conversa, trago aqui a definição de juventude exposta pelo Minidicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa (2004, p. 478) ao afirmar que é a “fase da vida que começa na adolescência e termina na idade adulta; mocidade; juvenilidade”. Nesse sentido, percebo quea juventude não existe uma idade fixa para iniciar e terminar em todas as pessoas, podendo variar de indivíduo para indivíduo, sendo que fatores como as condições sociais, econômicas e culturais podem influenciar fortemente esse processo de amadurecimento.

            Rememorar é algo nostálgico ao passo que é também complexo, pois fazer reflexões sobre o meu EU não é tarefa fácil. Acredito que tenho qualidades, defeitos, erros, medos... É algo muito pessoal, tão pessoal que parece que nem eu mesmo consigo expressar como gostaria. Ainda mais da fase da minha juventude, época de grandes desafios, como para a maioria das pessoas.  Então, “os jovens não existiam como faixa etária, pois transitavam diretamente da adolescência, entendida de forma ampla, para o trabalho [...] eram poucos aqueles que ficavam isentos do trabalho na adolescência para serem educados para o mesmo mais tarde” (PRATES, 2010, p. 5). Portanto, penso, como alguns teóricos, ao afirmar que essa etapa da nossa vida não tem uma idade bem definida para todos, contudo para este relato vou me ater à faixa etária dos meus quinze aos vinte e cinco anos, e/ou um pouco mais ou um pouco menos.

            No início da minha juventude morava com meus pais na fazenda. E como a maioria da população brasileira, tínhamos uma vida regrada, todavia o básico para a nossa sobrevivência não faltava. Ajudava meus pais nos afazeres rurais, serviços sofridos que não deixou nenhum pouquinho de saudade. Em vista disso, não tinha outra opção, era necessário enfrentar até mesmo com entusiasmo tal situação para manter a sobrevivência da família, junto com meus pais e meus outros oito irmãos.

            Nessa época, por volta dos meus quinze anos, quando iniciei o Ensino Médio, conciliava a vida entre a cidade e o campo. Durante a semana, era necessário ficar na cidade para estudar, pois não existia transporte escolar e morávamos vinte quilômetros da cidade, não sendo possível ir todos os dias. No final de semana, voltava para casa para ajudar a família; muitas vezes o transporte era bicicleta ou a pé, uma vez que meus pais não possuíam carro.

            Essa vida de conciliar campo e cidade, trabalho rural e estudo, foi por três anos, ou seja, durante todo o Ensino Médio. A rotina era a mesma, não participava de nenhuma atividade cultural e/ou social, pois a cidade é minúscula e até hoje ainda é carente de eventos para inserção social da juventude. Foi um período de muita “pitimba”, pois a cidade não oferecia oportunidade de empregos para seus jovens, somente trabalhava no campo nos finais de semana, recessos e feriados. Logo, o trabalho no campo tinha como finalidade manter a alimentação da família, não sendo possível sobrar recurso financeiro comprar roupa e calçados para andar na moda como alguns “playboyzinhos” andavam.

            Para muitos, “a juventude seria um tempo de liberdade, de prazer, de expressão de comportamentos exóticos” (DAYRELL, 2003, p. 41). Entretanto, para mim não foi bem assim. Meus pais, sempre rígidos; ao mesmo tempo não mantinham um diálogo aberto comigo, no sentido de me explicar sobre sexualidade e outras questões relativas à sexualidade. O que aprendi sobre essa temática foi na escola e com alguns amigos da mesma faixa etária que a minha.

            Concluí o Ensino Médio – Magistério com dezoito anos e já comecei a trabalhar como professor de anos iniciais, assumindo a responsabilidade já de um adulto, mesmo não sabendo se tinha vocação para a profissão, contudo agia com compromisso e dedicação à missão que ora havia sido incumbido, afinal era o meu primeiro emprego e deveria fazer jus à confiança que haviam me sido confiada.

            Com vinte anos de idade assumi a maior responsabilidade de toda a minha vida: o casamento Nesse mesmo período comecei também meu primeiro Curso Superior. Consegui conciliar as duas coisas, pois houve a compreensão e o entendimento por parte de minha esposa. Concluí o Curso Normal Superior no ano de 2002 (com 22 anos de idade) com o sentimento e a alegria de estar recebendo um diploma duplo, pois neste período também nasceu minha primogênita de um total de três filhos, que hoje são um pedaço de mim e somos uma família feliz e abençoada por Deus.

Após a conclusão da Licenciatura em Normal Superior fiquei um período sem estudar, o salário pífio de um cargo somente e já tinha uma responsabilidade a mais: uma família para cuidar e manter. Surgiu uma oportunidade de dobra de turno, logo decidi fazer uma especialização. Escolhi Supervisão Escolar em virtude do art. 64 da LDB nº 9394/96 vir com a seguinte redação: A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional. Como já possuía uma licenciatura, fazendo uma Pós Graduação latu sensu em Supervisão Escolar estaria legalmente habilitado. Concluí essa pós graduação em 2006 (com 26 anos de idade) na Universidade Cândido Mendes através do programa "A vez do mestre", na modalidade EAD - Educação à Distância, sendo presencial somente as provas de cada componente curricular. Recebia toda orientação à distância para a realização da pesquisa, pois escrevi uma monografia com o título "Inclusão, um direito de igualdade para todos". Foi uma fase de grande aprendizado, me tornei um profissional mais autônomo, pois tinha que estudar sozinho, sem a presença da figura de um professor por perto.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Em toda a minha trajetória pessoal, profissional e acadêmica sou exageradamente grato a Deus e algumas pessoas (da minha família ou não). Essa convivência com o próximo, com a pessoa humana me fez surpreendentemente uma pessoa feliz e conhecedora de meus direitos e deveres, enquanto cidadão de bem. Cada etapa, cada fase de minha vida foi e será de aprendizado, principalmente a juventude momento de grandes desafios; aprendi e aprendo com momentos bons e ruins. Hoje tento ser melhor que ontem e amanhã tentarei ser melhor que hoje, pois cada dia é um constate aprender.

            Me conhecer foi e será extremamente válido para essa nova fase de minha vida, inclusive na trajetória acadêmica do mestrado. Alguns acontecimentos rememorados estavam recônditos e adormecidos e esse pensar profundamente me fez realizar uma análise crítica, pois muita coisa que fiz e vivi, hoje faria diferente em virtude de que cada dia que passa, estou mais maduro e apto a realizar com maior sabedoria.

 

            Julgo que consegui mostrar um pouco de minha vida (inclusive para mim mesmo), minha juventude; sobretudo meu itinerário pessoal, profissional e acadêmico pelo simples fato de existir e interagir na coletividade, no meio em que estive e estou inserido, meus conhecimentos em diversos momentos vividos e o que pretendo conhecer e realizar.

 

 

REFERÊNCIAS

 

CALDAS AULETE, Minidicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

DAYRELL, Juarez. O jovem como sujeito social. Revista Brasileira da Educação. set/out/nov/dez. nº24, 2004.

PRATES, Daniela Medeiros de Azevêdo. Juventude(s): reabrindo questões. Fortaleza: EdUFCE, 2010.