MINHAS
EXPERIÊNCIAS JUVENIS
Mestrando:
Belchior Ribeiro Leite
Disciplina:
Juventude, Trabalho e Escola
Instituição: IFB
– Instituto Federal de Brasília
Professor:
Ailton Gonçalves Reis
Setembro/2020
INTRODUÇÃO
O presente trabalho visa fazer uma
breve retrospectiva em minha vida, sobretudo na época da minha juventude.
“Vista na sua condição de transitoriedade, na qual o jovem é um “vir a ser”,
tendo no futuro, na passagem para a vida adulta, o sentido das suas ações no
presente” (DAYRELL, 2003, p. 40). Desse modo, o período da minha juventude foi
uma fase de alegrias, mas também de sofrimentos, muitos desafios e maturidade
precoce.
É possível perceber que a juventude
é uma fase que nem sempre tomamos decisões corretas, mas, sobretudo ir
aprendendo a lidar com as decisões tomadas, sejam elas corretas ou não. No meu
caso específico, as coisas foram acontecendo naturalmente, bem como a inserção
social.
Relatar fatos a nosso respeito não é
nada fácil, mas de suma importância para nosso autoconhecimento, ainda mais que
minha juventude foi um período sofrido, de muitas lutas, entraves diversos e me
tornei adulto muito rápido. Portanto, logo que concluí o Ensino Médio,
conciliei faculdade, casamento e trabalho, situação nada comum para um jovem de
vinte anos.
DESENVOLVIMENTO
Para
início de conversa, trago aqui a definição de juventude exposta pelo Minidicionário
Contemporâneo da Língua Portuguesa (2004, p. 478) ao afirmar que é a “fase da
vida que começa na adolescência e termina na idade adulta; mocidade;
juvenilidade”. Nesse sentido, percebo quea juventude não existe uma idade fixa
para iniciar e terminar em todas as pessoas, podendo variar de indivíduo para
indivíduo, sendo que fatores como as condições sociais, econômicas e culturais
podem influenciar fortemente esse processo de amadurecimento.
Rememorar
é algo nostálgico ao passo que é também complexo, pois fazer reflexões sobre o
meu EU não é tarefa fácil. Acredito que tenho qualidades, defeitos, erros,
medos... É algo muito pessoal, tão pessoal que parece que nem eu mesmo consigo
expressar como gostaria. Ainda mais da fase da minha juventude, época de
grandes desafios, como para a maioria das pessoas. Então, “os jovens não existiam como faixa
etária, pois transitavam diretamente da adolescência, entendida de forma ampla,
para o trabalho [...] eram poucos aqueles que ficavam isentos do trabalho na
adolescência para serem educados para o mesmo mais tarde” (PRATES, 2010, p. 5).
Portanto, penso, como alguns teóricos, ao afirmar que essa etapa da nossa vida
não tem uma idade bem definida para todos, contudo para este relato vou me ater
à faixa etária dos meus quinze aos vinte e cinco anos, e/ou um pouco mais ou um
pouco menos.
No
início da minha juventude morava com meus pais na fazenda. E como a maioria da
população brasileira, tínhamos uma vida regrada, todavia o básico para a nossa
sobrevivência não faltava. Ajudava meus pais nos afazeres rurais, serviços
sofridos que não deixou nenhum pouquinho de saudade. Em vista disso, não tinha
outra opção, era necessário enfrentar até mesmo com entusiasmo tal situação
para manter a sobrevivência da família, junto com meus pais e meus outros oito
irmãos.
Nessa
época, por volta dos meus quinze anos, quando iniciei o Ensino Médio, conciliava
a vida entre a cidade e o campo. Durante a semana, era necessário ficar na
cidade para estudar, pois não existia transporte escolar e morávamos vinte
quilômetros da cidade, não sendo possível ir todos os dias. No final de semana,
voltava para casa para ajudar a família; muitas vezes o transporte era
bicicleta ou a pé, uma vez que meus pais não possuíam carro.
Essa
vida de conciliar campo e cidade, trabalho rural e estudo, foi por três anos,
ou seja, durante todo o Ensino Médio. A rotina era a mesma, não participava de
nenhuma atividade cultural e/ou social, pois a cidade é minúscula e até hoje
ainda é carente de eventos para inserção social da juventude. Foi um período de
muita “pitimba”, pois a cidade não oferecia oportunidade de empregos para seus jovens,
somente trabalhava no campo nos finais de semana, recessos e feriados. Logo, o
trabalho no campo tinha como finalidade manter a alimentação da família, não
sendo possível sobrar recurso financeiro comprar roupa e calçados para andar na
moda como alguns “playboyzinhos” andavam.
Para
muitos, “a juventude seria um tempo de liberdade, de prazer, de expressão de
comportamentos exóticos” (DAYRELL, 2003, p. 41). Entretanto, para mim não foi
bem assim. Meus pais, sempre rígidos; ao mesmo tempo não mantinham um diálogo aberto comigo, no sentido de me explicar sobre
sexualidade e outras questões relativas à sexualidade. O que aprendi sobre essa
temática foi na escola e com alguns amigos da mesma faixa etária que a minha.
Concluí
o Ensino Médio – Magistério com dezoito anos e já comecei a trabalhar como
professor de anos iniciais, assumindo a responsabilidade já de um adulto, mesmo
não sabendo se tinha vocação para a profissão, contudo agia com compromisso e
dedicação à missão que ora havia sido incumbido, afinal era o meu primeiro
emprego e deveria fazer jus à confiança que haviam me sido confiada.
Com
vinte anos de idade assumi a maior responsabilidade de toda a minha vida: o
casamento Nesse mesmo período comecei também meu primeiro Curso Superior. Consegui conciliar as duas coisas, pois houve a
compreensão e o entendimento por parte de minha esposa. Concluí o Curso
Normal Superior no ano de 2002 (com 22 anos de idade) com o sentimento e a
alegria de estar recebendo um diploma duplo, pois neste período também nasceu
minha primogênita de um total de três filhos, que hoje são um pedaço de mim e
somos uma família feliz e abençoada por Deus.
Após a
conclusão da Licenciatura em Normal Superior fiquei um período sem estudar, o
salário pífio de um cargo somente e já tinha uma responsabilidade a mais: uma
família para cuidar e manter. Surgiu uma oportunidade de dobra de turno, logo
decidi fazer uma especialização. Escolhi Supervisão Escolar em virtude do art.
64 da LDB nº 9394/96 vir com a seguinte redação: A formação de
profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção,
supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em
cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da
instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional. Como
já possuía uma licenciatura, fazendo uma Pós Graduação latu sensu em
Supervisão Escolar estaria legalmente habilitado. Concluí essa pós graduação em
2006 (com 26 anos de idade) na Universidade Cândido Mendes através do programa
"A vez do mestre", na modalidade EAD - Educação à Distância, sendo
presencial somente as provas de cada componente curricular. Recebia toda
orientação à distância para a realização da pesquisa, pois escrevi uma
monografia com o título "Inclusão, um direito de igualdade para
todos". Foi uma fase de grande aprendizado, me tornei um profissional mais
autônomo, pois tinha que estudar sozinho, sem a presença da figura de um
professor por perto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em toda a minha trajetória
pessoal, profissional e acadêmica sou exageradamente grato a Deus e algumas
pessoas (da minha família ou não). Essa convivência com o próximo, com a pessoa
humana me fez surpreendentemente uma pessoa feliz e conhecedora de meus
direitos e deveres, enquanto cidadão de bem. Cada etapa, cada fase de minha
vida foi e será de aprendizado, principalmente a juventude momento de grandes
desafios; aprendi e aprendo com momentos bons e ruins. Hoje tento ser melhor
que ontem e amanhã tentarei ser melhor que hoje, pois cada dia é um constate
aprender.
Me conhecer foi e será extremamente válido para essa nova fase de minha vida,
inclusive na trajetória acadêmica do mestrado. Alguns acontecimentos
rememorados estavam recônditos e adormecidos e esse pensar profundamente me fez
realizar uma análise crítica, pois muita coisa que fiz e vivi, hoje faria
diferente em virtude de que cada dia que passa, estou mais maduro e apto a
realizar com maior sabedoria.
Julgo que consegui mostrar um pouco de minha vida (inclusive para mim mesmo), minha
juventude; sobretudo meu itinerário pessoal, profissional e acadêmico pelo
simples fato de existir e interagir na coletividade, no meio em que estive e
estou inserido, meus conhecimentos em diversos momentos vividos e o que
pretendo conhecer e realizar.
REFERÊNCIAS
CALDAS
AULETE, Minidicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2004.
DAYRELL,
Juarez. O jovem como sujeito social.
Revista Brasileira da Educação. set/out/nov/dez. nº24, 2004.
PRATES,
Daniela Medeiros de Azevêdo. Juventude(s):
reabrindo questões. Fortaleza: EdUFCE, 2010.
Nenhum comentário:
Postar um comentário