sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

CONHECENDO A PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA: CONTEXTUALIZAÇÃO, QUESTÕES TEÓRICAS E PRÁTICAS


         A Pedagogia da Alternância nasceu na França na década de 1930, em pleno período da Segunda Guerra Mundial, e se fortaleceu como uma perspectiva de vida nova para os camponeses da pequena Srignac – Peboudou, no Sudoeste da França. Espalhou-se pelo mundo, chegando ao Brasil em finais da década de 1960 – em pleno Regime Militar, sendo o primeiro país fora da Europa a implantar a Pedagogia da Alternância, seguido quase simultaneamente pela Argentina.
            Tal como no contexto Francês, a nova pedagogia chegou com perspectivas de novos horizontes de vida para os camponeses de Olivânia, localizado na zona rural do município de Anchieta, no Espírito Santo. Sendo esta a primeira comunidade camponesa fora do território europeu a sediar uma escola da alternância. O segundo lugar a receber a Pedagogia da Alternância fora da Europa foi Moussy, na Província de Santa Fé, na Argentina.
            De acordo com o dicionário Luft (1999), a alternância é o “ato ou efeito de alternar”. E, por sua vez, alternar é “fazer repetir alternada e regularmente; revezar; intercalar; interpolar; suceder ou aparecer intercaladamente”.
            Sendo assim, ao analisar sua vida, o passar dos dias, semanas, enfim, dos tempos; poderão se certificar que a sua vida é feita de alternâncias. Pois existe a alternância entre o dia e a noite; entre o espaço de trabalho e o espaço da casa; o dormir e o acordar; entre o relacionamento no trabalho e o relacionamento na família; entre o aprender e o aplicar; entre o cansaço e o descanso; entre a semana e o fim de semana; entre o convívio profissional, o familiar e o social... Entre as estações do ano... Portanto, a vida se faz de alternâncias entre as atividades, os lugares, a convivência entre as pessoas e uma sequência de tempo.
            A Pedagogia da Alternância consiste em uma complexa pedagogia que tem a aprendizagem do estudante baseada na alternância de espaços, relacionamentos, atividades e tempos, que não somente ocorrem na escola, mas também na família, no meio geográfico e comunitário, social e profissional, valorizando as raízes culturais locais, o conhecimento dos pais e presentes no meio onde vivem; e fazendo do espaço e do tempo escolar um processo de aprofundamento e enriquecimento desses saberes vindos da realidade do aluno.
            A Pedagogia da Alternância se faz valer de um conjunto de estratégias, ações, de agentes e colaboradores, além de um conjunto próprio de ferramentas pedagógicas, que permitem alcançar a formação do estudante.
            Essa modalidade de pedagogia se consolidou como um modelo de formação que alterna momentos, espaços e atividades no processo de ensino-aprendizagem. Este passa não mais ocorrer somente em uma sala de aula, mas também ao lado externo das escolas. Ou seja, nas atividades produtivas, enfim, em toda e qualquer atividade e experiência que se insere o estudante e passa a ser considerada como valiosa na construção da sua formação integral, profissional e permanente.
            A dinâmica formativa da Alternância trouxe novas perspectivas para os jovens a propor:
·         Uma formação em outra dinâmica que não a convencional;
·         O diálogo e interação entre as diferentes realidades e contextos da vida do estudante (familiar, social, profissional);
·         Que o estudante seja o responsável pela construção de sua própria história e condutor de sua formação;
·         Permitindo a este adquirir conhecimentos voltados a atender as demandas de sua realidade e comunidade concernente às questões profissionais, técnicas e inovação;
·         E despertando para a habilidade e competência para a auto-formação e a formação permanente.       
O principal problema, dentre vários, que serviu como motivação para o surgimento da Pedagogia da Alternância foi à questão da necessidade dos jovens continuarem seus estudos e não existirem escolas na região de Serignac – Peboudou (Sudoeste Francês) que ofertassem ensino para além das séries iniciais. A alternativa dos pais franceses daquela época era remeter seus filhos para as cidades maiores, de forma que muitas vezes a família ficava dividida, pois a mãe seguia com os filhos e o pai ficava só na propriedade. Os jovens que iam à busca de escola, passavam a ter saberes que em nada se aplicavam à necessidade da família e da comunidade na atividade agrícola que desenvolvia. E o filho, formado em uma profissão que não condizia com a atividade agrícola da família, era condicionado a viver na cidade para poder trabalhar.
            O padre francês Abbé Granerau juntamente com as famílias rurais, após criação de sindicatos rurais e associações fundou a instituição Maison Familiale Rurale que começou a funcionar em 1935 e vários processos complexos foram se estabelecendo e formando essa pedagogia: seu funcionamento, seus mecanismos, suas ferramentas pedagógicas e seus objetivos. Essa primeira escola da Alternância teve seu funcionamento lá mesmo no salão paroquial.
            Geralmente, a palavra professor nessas escolas é substituída por monitor. A visão de um novo profissional da educação, com novas habilidades e competências para além das exigidas pelas escolas convencionais. No entanto, o educador de uma EFA deve ser uma pessoa desprendida de um planejamento oficial, aberto para o diálogo com o aluno e a família; da mesma forma, capaz de promover o diálogo entre os diferentes saberes.
            Hoje as escolas de Pedagogia da Alternância estão presentes nos cinco continentes e em diversos países, em um total de mais de mil e trezentas escolas. Segundo dados, em 2010 existiam 1330 EFAs em todo o mundo, assim distribuídos por continente: Europa- 523; África- 193; Ásia – 16; Oceania- 12; América- 593. Sendo os países com o maior número de CEFFas / EFAs, no de 2010: França- 460; Brasil- 263; Argentina- 114; Guatemala- 104; Espanha- 55; Peru- 43.
            Quando se trata das EFAs (Escolas Famílias Agrícolas), estamos falando de Educação no Campo, que muitas vezes é confundida com Educação Rural. Há uma grande diferença falar de Educação do Campo e Educação Rural. A primeira consiste na educação articulada pelos movimentos sociais do campo, como forma de se realmente estabelecer um projeto ou uma política educacional que garanta as especificidades do campo e de sua gente. A Educação Rural consiste em modelos educacionais            propostos pelo poder público, descompromissado com os interesses sociais dos trabalhadores rurais, suas perspectivas; podendo essa ser um projeto voltado a estabelecer o modelo proposto por uma elite ou um grupo social dominante.
            Como dispositivos legais sobre a educação no campo, temos os seguintes no decorrer de nossa história:
·         Em 1812 p PNE – Plano Nacional de Educação reconheceu a necessidade de uma base de conhecimento a ser ofertado a todos os estudantes e como ramo diferenciado a ser ofertado concomitantemente aos comerciantes, artistas, agricultores e a outras respectivas formações profissionais;
·         PNE de 1826 – Deixou como legado a proposição de que a educação deveria valorizar o conhecimento sobre a natureza e os saberes relacionados a produção de produtos naturais;
·         O Decreto nº 7.247 de 1979 instituiu a primeira experiência de ensino técnico, na Bahia, posteriormente transformada  na Escola de Agronomia do Brasil;
·         LDB nº 4024 de 1961 -  Artigo 105 pregava que os poderes públicos instituirão e ampararão serviços e entidades que mantenham na zona rural escolas capazes de favorecer as adaptação do homem ao meio e o estímulo de vocações profissionais. Ao longo da década de 1960 ampliou-se a implantação de modelos de escolas agrotécnicas, de cunho educacional tecnicista;
·         Decreto Lei nº 9.613 de 20/08/1946 – Lei Orgânica do Ensino Agrícola;
·         Constituição Federal de 1988 – Em seu Capítulo III, Art. 206 determina um pluralismo de concepções pedagógicas;
·         LDB nº9394/96 – Em seu Art. 28 apregoa a oferta de oferta de educação para a população da zona rural, a educação deverá se adaptar às peculiaridades da população, da localidade e da região;
·         Parecer CNE / CEB 36, de 04/12/2001 – legalizou o funcionamento das escolas do meio rural e representou um marco inovador no que se refere à educação em zona rural;
·         Resolução CEB nº 01/2002 – que estabeleceu as diretrizes Educacionais para a Educação Básica nas escolas do campo;
·         Parecer CEB nº 01/2006 – Recomenda a adoção da Pedagogia da Alternância nas escolas do campo.
A Pedagogia da Alternância relaciona-se com o modelo teórico da Teoria Tripolar, que apresenta três pólos formativos que seguem:
1-      Heteroformação – é aquela que dá na interação de agentes sociais e profissionais articulando ou colaborando para a aprendizagem do ser em análise: a escola, a família, os parceiros e colaboradores dos CEFFAs/EFAs na formação do seu alunado;
2-      Ecoformação – dá a partir do aluno com o meio ambiente;
3-      Autoformação – consiste e culmina na capacidade do ser em realizar e conduzir o seu processo de formação.
O grande diferencial dos CEFFAs/EFAs em relação às escolas convencionais, é que os primeiros nascem da participação e responsabilidade dos pais, diante e para atender a realidade produtiva, social e cultural local, tendo como base o conhecimento da família e da comunidade. Ou seja, se propõe ser um processo de organização  e transformações do local onde a escola se instalou.
            Os princípios de funcionamento das EFAs são convencionados como os QUATRO PILARES DOS CEFFAs, e estão relacionados com as finalidades da formação e dos meios formativos. Esses princípios norteiam e organizam o funcionamento administrativo, financeiro de pedagógico das escolas, influenciando na formação dos técnicos em Agropecuárias. São eles:
1-      Associação das famílias: local, regional e nacional;
2-      A Pedagogia da Alternância;
3-      A formação profissional, integral e humana do ser;
4-      O desenvolvimento sustentável, ambientalmente correto e solidário do meio.

O ponto mais importante para que ocorra todas as alternâncias, é a existência dos momentos de aprendizagem dos alunos na escola e na família/comunidade. Geralmente dá-se o nome da semana que o aluno está na escola de Sessão Escolar e a sessão que está junto da família de Sessão Família. Essas sessões são de uma semana ou 15 dias em cada  lugar. Vale refletir que a alternância entre a Sessão Família e a Sessão Escola é a essência da Pedagogia da Alternância.
            O currículo de uma EFA nasce de toda reflexão  presente no PPP, exprimindo em componente curricular a formação desejada pelos pais, comunidade e professores. O currículo escolar geralmente acontece de forma interdisciplinar entre conteúdos técnicos e gerais e aponta para os mesmos perfis formativos: a formação humana, integral e profissional.
            As ferramentas e ações da Pedagogia da Alternância são:

·         O PLANO DE FORMAÇÃO – consiste em um grande painel onde estão dispostos todos os processos formativos pelo qual passará o jovem ao longo de um ano. Nele constam os temas geradores do Plano de Estudo, as disciplinas do currículo / matriz curricular e todas as ações e estratégias que serão desenvolvidas a partir dos temas do PE. O tema é o elemento chave do Plano de Formação. O Plano de Formação deve representar a articulação entre seis elementos básicos dos CEFFAs e da Pedagogia da Alternância: o conteúdo, o aluno, o professor/monitor, a organização, a participação familiar e a avaliação.
·         O PLANO DE ESTUDO – é a ferramenta da Pedagogia da Alternância que se estabelece a partir de uma pesquisa realizada pelos alunos, durante a sessão família, a partir de temas definidos entre a equipe e a CEFFA, os estudantes e a família, além de agentes formativos do meio comunitário. É destinado à pesquisa e diagnóstico de temáticas pré-definidas entre a equipe do CEFFA, os estudantes e a família, além de agentes formativos do meio comunitário. O trabalho escolar sobre o Plano de Estudo parte da lógica: ação – reflexão – aprofundamento – nova ação.
·         A FOLHA DE OBSERVAÇÃO – consiste em uma estratégia usada para complementar a pesquisa do tema do PE. Ela é usada quando o professor deseja apurar melhor uma informação que não ficou clara durante a pesquisa ou aprofundar alguma informação relevante referente ao tema.
·         O CADERNO REALIDADE – funciona como um sistema de porta folhas, onde os alunos vão registrando a sua história escolar. Ou seja, em uma pasta de arquivo o aluno vai organizando os seus planos de estudo e todos os outros trabalhos que desenvolve com o intuito de diagnosticar, abordar, descrever, analisar, interrogar, compreender, aprofundar sua realidade familiar, histórica, social, cultural e profissional.
·         ESTÁGIO – geralmente a partir do 1º ano já inicia-se o estágio;
·         A VISITA ÀS FAMÍLIAS – o desenvolvimento da Pedagogia da Alternância requer um elo entre os alunos e o corpo docente da escola, para que o processo de ensino se dê realmente em um contexto familiar. Para isso, torna-se necessário que a escola e a família tenham um relacionamento próximo.
·         A TUTORIA –  é uma ferramenta de acompanhamento individualizado do aluno no sistema de formação por alternância. Consiste numa tarefa do professor / monitor em dedicar um tempo na sessão escola para cada aluno que ele é tutor, conversando com o mesmo sobre o rendimento escolar, dificuldades na escola, projeto de vida, definição do projeto profissional. Enfim, este professor desenvolve com o aluno laços de amizade, passando a ser uma referência para o aluno no relacionamento dom a escola.
·         CADERNO DE ACOMPANHAMENTO – é a mais importante ferramenta do tutor. Corresponde a uma caderneta devidamente preparada para o fim que se destina: o aluno registrar cada momento seu na sessão escola e na sessão família.
·         FICHA INDIVIDUAL – constitui o documento em que o monitor na sua função de tutor registra todas as questões relacionadas aos estudantes em que ele é responsável pelo acompanhamento. Nele devem constar de forma sintetizada as informações extraídas do Caderno de Acompanhamento, referente à estadia do aluno nas sessões famílias, comprovando as atividades daquele espaço, refletindo na sua aprendizagem em alternância.
·         O INTERNATO E AS TAREFAS DO ESPAÇO ESCOLAR – é a permanência e o alojamento do estudante no prédio escolar ao longo de toda Sessão Escola. O aluno fica em internato ao longo da quinzena.
·         VISITAS E VIAGENS DE ESTUDO – constituem de saídas programadas e planejadas pelos professores, com o intuito de proporcionar aos estudantes o aprofundamento dos temas e conteúdos trabalhados.
·         RELATÓRIOS – devem ser sempre um processo corriqueiro na vida do estudante da Pedagogia da Alternância. É uma estratégia de tomar nota de cada atividade que ele participa.
·         O PROJETO DE VIDA – é uma atividade proposta aos alunos do nono ano do ensino fundamental  e tem o propósito de fazer o jovem e a família refletirem sobre os passos seguintes na vida e na formação do estudante.
·         PROJETO PESSOAL PROFISSIONAL – é um elemento pedagógico de culminância de formação pela Pedagogia da Alternância. Após ter concluído o ensino médio e ter recebido várias instruções e orientações que levaram o estudante na construção de seu saber, o projeto profissional se estabelece como a continuidade do projeto de vida.

·         A FORMAÇÃO DAS FAMÍLIAS – os pais e a família como um todo exerce um papel fundamental na formação dos estudantes através da Pedagogia da Alternância. Pois eles que permanecem com o estudante durante a sessão família, acompanhando-os em suas atividades, inserindo-os no mundo do trabalho da família ou comunidade e participando da vida escolar através da associação. Mais do que isso, a  família é a base dos primeiros saberes dos seus filhos, antes mesmo destes irem para o espaço escolar.
OBS: Síntese do Livro da referência abaixo.

REFERÊNCIA:
FROSSARD, Antonio Carlos. Conhecendo a Pedagogia da Alternância: contextualização, questões teóricas e práticas. Nova Friburgo: Editora Fross, 2018.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

PARADIGMAS E MODALIDADES DE CURRÍCULO


       De início, será importante realizar a definição do termo paradigma. Geralmente, de maneira generalizada se define como sendo modelo. Para Pabis (2013) “paradigma é entendido como um modelo que é aceito e têm seus fundamentos nos princípios sociológicos, filosóficos, econômicos, políticos, culturais e nas demandas da sociedade.” Já para Khun (1970)  apud Pebis (2013, p. 52) “um paradigma é um modelo ou padrão aceitos, que pode ser muito bem delimitado, tanto no âmbito como na precisão.”
         Serão apresentados três paradigmas curriculares:
·         TÉCNICO – LINEAR – emerge do interesse técnico e tem Ralph Tyler como seu principal representante. Sua característica básica é a ênfase em objetivos, estratégias, controle e avaliação. Este paradigma possui uma analogia entre a orientação na escola e na indústria e o currículo com os seguintes princípios: a) preparar indivíduos para desempenhar funções definidas em uma situação também definida; b) basear o conteúdo curricular numa análise das funções específicas a serem desempenhadas e na situação também específica na qual devem ser desempenhadas. As preocupações eram as mesmas da indústria: estabelecer metas, as formas de trabalho e avaliar para se certificar se as metas estavam sendo atingidas. Os princípios retirados do sistema de produção, aplicados ao currículo devem transformar o aluno num produto fabril, controlado por um técnico altamente qualificado.
Na década de 1960, Hilda Taba realizou estudos no sentido de desenvolver o trabalho de Tyler e propõe sete passos para a elaboração de um currículo: seleção de conteúdos, formulação de objetivos, organização de conteúdos, seleção de atividades de aprendizagem, organização de atividades de aprendizagem, determinação do que vai se avaliar e de que maneira e com quais meios.
Esse paradigma teve forte influência na construção do pensamento curricular brasileiro, influenciou a tendência definida na Lei 5692/71 cujo foco era a formação profissional; os currículos eram bem definidos, os objetivos eram formulados em termos comportamentais.
·         CIRCULAR CONSENSUAL – surgiu a partir da constatação de que o paradigma técnico-linear não atendia as necessidades educacionais do momento. Os principais pensadores desse paradigma foram Maxine Greene e Willian F. Pinar. A idéia que mais influenciou o surgimento desse paradigma foi “ a consciência de que a escola está inserida na sociedade e que seus problemas não são só problemas educacionais, mas também sociais, políticos, econômicos, e de que não podemos esperar mudanças estruturais na escola, a não ser que essas aconteçam na sociedade como um todo.
Neste paradigma, o currículo está centrado nas experiências dos alunos e nas suas necessidades latentes e/ou manifestas. Possui como influenciadores Paulo Freire, John Dewey e Kilpatrick.
·         DINÂMICO-DIALÓGICO – emerge do processo de aprendizagem com interesse de emancipação. Inspira-se no enfoque praxiológico e assenta-se em três premissas básicas oriundas do pensamento neomarxista: a) o currículo não pode ser separado da totalidade do social, deve ser historicamente situado e culturalmente determinado; b) o currículo é um ato inevitavelmente político que objetiva a emancipação das camadas populares; c) a crise que atinge o campo de currículo não é conjuntural, ela é profunda e de caráter estrutural.
Para Domingues (1986) apud Pabis (2013, p. 64) “é possível visualizar em Libâneo (1984), Melo (1982), Saviani (1984), dentre outros, a tendência dinâmico – dialógica. Segundo estes autores, três idéias se colocam como centrais: a escola pública, o professor e o livro didático.
A escola pública por ser espaço onde confluem interesses do Estado e das camadas populares, deve ser vista como instrumento de transformação social; é local destinado para a socialização do conhecimento elaborado; espaço de distribuição do conhecimento para as classes populares, de assegurar a essas camadas o acesso ao conjunto das conquistas armazenadas pelo homem na sua trajetória histórica.
Na escola pública, o ‘professor é o principal mediador entre quantidade-qualidade do diálogo estabelecido entre o aluno e o conhecimento, o aluno e a criatividade, o aluno e a realidade.
A escola pública tem no livro didático um instrumento para veiculação do saber sistematizado; deve ser visto como  depositário organizado do conhecimento que se processa e se acumula no mundo social e, como tal, ele deve corporificar as informações basilares de determinada matéria / disciplina, de forma correta, atualizada, seqüenciada e dosada.

Quadro dos principais paradigmas curriculares:
PARADIGMA
INTERESSE HUMANO
PENSADOR RESPONSÁVEL
Técnico - linear
Técnico
Ralph W. Tyler
Circular Consensual
De consenso
Maxine Greene e Willian F. Pinar
Dinâmico - dialógico
Emancipador
Michael Apple e Henry Giroux

MODALIDADES CONTEMPORÂNEAS DE CURRÍCULO

         A forma de organização dos currículos, se por áreas do conhecimento, disciplinas, por problemas, por centros de interesse, por competência, por temas geradores. Estas formas de organização do currículo são chamadas de modalidades de organização do currículo.
         Para Santomé (1998) apud Pabis (2013, p. 68) existe a organização curricular por disciplinas e a que contempla a integração; nesta são encontradas as clássicas e as contemporâneas.
         A forma de organização por disciplinas é aquela encontrada nas nossas escolas, chamada por Basil Berstein  de currículo “tipo coleção”. Os conteúdos são isolados uns dos outros e normalmente o controle é feito por agentes externos.
         O currículo disciplinarizado é muito criticado. Dentre as críticas, a de que o centro da proposta são as disciplinas e não os interesses dos alunos; que não são consideradas as experiências dos alunos e nem as problemáticas do meio sócio-cultural e ambiental.
         Existe também o currículo integrado, organizado de forma a atender a compreensão global do conhecimento, tendo o trabalho como princípio educativo e trabalhando os conceitos trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Essa modalidade de currículo ainda é recente e é ideal para o ensino médio integrado à educação profissional.
         Outra proposta de trabalho integrado que merece ser destacada é o método de projetos. Seu percursor é Kilpatrick, que inspirou nos trabalhos de Dewey, com quem trabalhou. Adota a palavra projeto como sinônimo de realização das intenções. Existe a modalidade curricular por disciplinas, interdisciplinaridade, transdisciplinaridade.
         Fica evidente que a definição das modalidades fica a cargo da iniciativa dos professores e demais profissionais da escola e não como decorrência de uma política pública adotada.

OBS: Síntese de parte do livro da referência abaixo.

REFERÊNCIA:

PIBIS, Nelsi Antônia. Escola, Currículo e Avaliação. Unicentro, Parana. 2013.


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

TEORIAS EDUCACIONAIS DE MAIOR CIRCULAÇÃO NO BRASIL


Quadro apresentando as teorias educacionais de maior circulação no Brasil, seus representantes, papel da escola, do professor e definição de currículo:

TEORIA EDUCACIONAL
REPRESENTANTE
ESCOLA
PROFESSOR
CURRÍCULO
Tradicional
Humanistas
Transmitir conhecimentos
Transmissor de conhecimentos
Lista de matérias. Matérias e seus conteúdos
Escola Nova
Dewey
Possibilitar aos alunos uma vivência democrática
Estimulador e orientador da aprendizagem
Conjunto de experiências vividas pelos alunos sob orientação do professor
Tecnicismo
Skinner
Moldar o comportamento do aluno
Executor de processos planejados por especialistas
Um sistema de ações planejadas para aquisição de experiências
Cognitivismo
Piaget
Desenvolver os processos mentais
Deve provocar desequilíbrios, fazer desafios
Proposição de problemas as serem resolvidos pelos alunos
Pedagogia Histórico-crítica
Saviani e Libâneo
Difusão de conteúdos concretos indissociáveis da realidade social
Mediador entre os conteúdos e a realidade do aluno
Ato de comprometimento social.
 Fonte: Quadro constuído por Nelsi Antônia Pabis no Livro Escola Currículo e Avaliação.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

ALGUNS AUTORES E OBRAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS SOBRE O CURRÍCULO ESCOLAR E O CURRÍCULO ESCOLAR INTEGRADO



1-    Alguns autores e obras internacionais que tiveram maior circulação no Brasil

AUTORES
TÍTULO EM PORTUGUÊS
PUBLICAÇÃO / EDITOR
PUBLICAÇÃO NO BRASIL
TRADUTOR
1-       TYLER, Ralph
Princípios básicos de currículo e ensino
1949 – The University of Chicago
1974 – Editora Globo
Leonel Vallandro
2-       DOUGLAS, Harl
Administração moderna das escolas secundárias
1954 – Gin asd Company
1963 – Fundo de Cultura
Ruy Jugmann
3-       RAGAN, Willian
Currículo primário moderno
1960 – Holt Hinnelart and Winston
1964 - Globo
Ruth Cabral
4-       FLEMING, Robert
Currículo moderno
1963 – Charles E. M. Books
1970 – Lidador – INL - MEC
Marina Couto e Maria Eleonora Brand
5-       BRUNER, Jerome
O processo da educação
1966 – Harvard University
1974 – Editora Nacional
Lolio Lourenço de Oliveira
6-       BERMAN, Louise
Novas prioridades para o currículo
1968 – Charles E. Merril
1976 – Globo / Fundo  Nacional Material Escolar
Leonel Vallandro
7-       DAVIES, Ivor
Planejamento de currículo e seus objetivos
1976 – MCGraw Hill
1979 - Saraiva
Marília Lins e Nélio Parra
8-       KELLY, Albert Victor
Currículo, teoria e prática
1979 – Harper How
1980 – Harper How
Jamir Martins
9-       APPLE, Michael
Ideologia e currículo
1979 – Routledge, Kegan Paul
1982 - Brasiliense
Carlos Eduardo F. Carvalho
10-   MESSICK, Rosemary at al
Currículo: análise e debate
1980 – University of Chicago
1980 - Zahar
Maria Ângela V. Almeida
11-   DOLL, Willian E.
Currículo: uma perspectiva pós moderna
1983
1997 – Artes Médicas
Maria Adriana Veríssimo Veronese
12-   SANTOMÉ, Jurjo Torres
Globalização e interdisciplinaridade: currículo integrado
1994 – Ediciones Morata
1998 – Artes Médicas
Cláudia Schilling
13-   SACRISTAN, Gimeno J.
O currículo: uma reflexão sobre a prática
1991 – Ediciones Morata
1998 - Artmed
Ernani F. da F. Rosa
14-   PACHECO, José Augusto
Escritos Curriculares

2005- Cortez

15-   STENHOUSE, Lawrence
Investigacion y desarrollo Del curriculum
1987 – Ediciones Morata


16-   COLL, César
Psicologia e currículo
1987 – Ediciones Paidós Ibérica S. A
2006 - Ática
Cláudia Schilling
17-   EISNER e  WALLANCE
Concepções conflitantes de currículo
1974 – Berkeley Califórnia
MecCutchan Publishing Corporation
Sandra M. C. Paoli
18-   LEWY, Arieh (Org.)
Avaliação de currículo
1974 – Berkeley Califórnia
1979 – EPU: ED. da USP
Letícia Rita Bonato
Fonte: Retirado do Livro: Escola, Currículo e Avaliação. Autora: Nelsi Antônia Pabis, 2013.


2-    Alguns autores nacionais que publicaram sobre currículo

AUTOR
TÍTULO
INSTITUIÇÃO
EDITORA – ANO DE PUBLICAÇÃO
SAUL, Ana Maria
Avaliação Emancipatória
PUC –SP – Cortez
Cortez - 1988
MOREIRA, Antônio Flávio
Currículos e programas no Brasil
UFRJ – Papirus
Papirus - 1990
SILVA, Tomaz Tadeu da
Documentos de Identidade
UFRGS – Autêntica
Autêntica - 2005
DOMINGUES, José Luis
Interesses humanos e paradigmas curriculares
In: Rev. Bras. Estudos Pedagógicos. Brasília
1986
VEIGA, Ilma Passos Alencastro (Org).
Escola Fundamental: Currículo e ensino
UNB
Campinas – Papirus 1991
LOPES, Alice Cassimiro
Currículo e epistemologia
UERJ – Unijuí - Ijuí
Unijuí - 2007
MACÊDO
Currículo: campo, conceito e pesquisa
UFBA -  Petrópolis, Vozes
Petrópolis, Vozes - 2007
BAMBIRRA, COSTA e COUTINHO (Org.)
Currículo Integrado: concepções, perspectivas e experiências
CEFET – MG
CEFET – MG, 2011
CANDAU e MOREIRA (Org.)
Multiculturalismo
Petrópolis – Vozes
Vozes – 2011
MOREIRA  e TADEU
Currículo, cultura e sociedade
São Paulo - Cortez
Cortez – 2013
MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa
Currículo: políticas e práticas
Campinas - Papirus
Papirus - 2013
KULLER e MORAES
Currículos Integrados: no ensino médio e educação profissional
SENAC – São Paulo
SENAC - 2019
Fonte: Retirado do Livro: Escola, Currículo e Avaliação. Autora: Nelsi Antônia Pabis, 2013
             e complementada por mim: Belchior Ribeiro Leite.




REFERÊNCIA:

PABIS, Nelsi Antônia. Escola, Currículo e Avaliação. UNICENTRO: Paraná, 2013.