terça-feira, 31 de março de 2020

DIÁRIO DE APRENDIZAGEM


Disciplina: Práticas Educativas na Educação Profissional e Tecnológica
Mestrando: Belchior Ribeiro Leite
Professores:  Débora Leite Silvano, Marcelo de Faria Salviano, Rosa Amélia Pereira da Silva e Veruska Ribeiro Machado

DIÁRIO DE APRENDIZAGEM

Textos base: Saberes e Incertezas sobre o currículo de José Gimeno Sacristán e As      Sequências Didáticas e as Sequências de Conteúdo de Antoni Zabala.

            Em meio a ininterruptos noticiários sobre a pandemia do COVID-19, eu, aqui, em isolamento social e como um bom passatempo, realizo leituras e reflexões acerca do currículo e das categorias da prática educativa, respectivamente temas de autoria de José Gimeno Sacristán e Antoni Zabala. Tais termos são de grande relevância para o cenário educacional, o segundo é orientado pelo primeiro. Nesse caso, o currículo possui o objetivo de atender as necessidades dos alunos e ao Projeto Político Pedagógico da escola. Ele é de grande importância no processo de aprendizado, pois é um elemento norteador do trabalho dos professores.
            Inicialmente, principio minhas reflexões sobre o termo currículo, do Livro Saberes e incertezas, escrito por Sacristán que nasceu em Vilueña, uma pequena vila agrícola de Zaragoza, na Espanha. Sacristán sempre pesquisou sobre a escola e seus problemas educativos, mais especificamente o currículo, criticando, a listagem de conteúdos obrigatórios. Ele que o currículo deve fornecer meios para que o aluno se posicione em relação à sua cultura e à sociedade e que o professor precisa ter consciência das teorias, valores e crenças que embasam a organização curricular da escola, ou seja, do currículo oculto presente nas práticas cotidianas.
            O conceito de currículo tem sua história e o seu surgimento converge com a criação da escola nos moldes atuais, com alunos nas carteiras e professores em salas de aula, lá por volta do século XII, na Europa. Embora o conceito mesmo de currículo tenha sua origem no final do século XVI na Universidade de Leiden (Holanda). Desde essa época, o currículo já organizava os conteúdos que o aluno deve aprender numa escola, era utilizado para designar um plano estruturado de estudos. Mas somente a partir da publicação da obra The Curriculum, de Franckin Bobbitt, publicada nos Estados Unidos em 1918, o currículo firmou-se como campo de reflexões e de estudos.
            Conforme é apresentado por Sacristán, currículo deriva do latim, curriculum, que tem a mesma raiz que cursus e currere, e significa a soma das honras que o cidadão ia acumulando no decorrer da vida. Em nosso idioma, bifurca-se e assume dois sentidos: curriculum vitae, ou seja, os conhecimentos e êxitos que o profissional vai adquirindo no decorrer da vida, inclusive através das certificações e a carreira do estudante, e em outro sentido, os conteúdos deste percurso, assim como a organização, aquilo que o aluno deverá aprender e em que ordem deverá fazê-lo.
            O termo currículo, tema de meu projeto de pesquisa, é mencionado no início do referencial teórico, como algo que  configura um dos mais importantes e complexos temas de estudo no âmbito educacional. Vai além da mera seleção de conteúdos a serem trabalhados na escola, ele constitui um elemento que traz impactos para o funcionamento da instituição escolar, pelo seu caráter não só pedagógico como também político. Na seleção e organização do conhecimento, o currículo expressa relações de poder que interferem e transformam a vida das pessoas.
            O autor afirma que, através do currículo, seleciona-se o que vai ser ensinado, faz-se um recorte, é um território demarcado e regrado. Essa seleção é organizada, e por sua vez vai regular a prática educativa.  Agora, resta saber se o que vai ser recortado para ser ensinado realmente irá atender aos interesses e às necessidades daqueles que irão aprender. O pior é que existem interesses por trás dessa seleção de conteúdos. Esses interesses irão atender à classe trabalhadora ou às demandas da burguesia? Nesse território demarcado, prioriza-se o que vai ensinar. Nesse caso, Miguel Arroyo, no Livro Currículo, território em disputa,  diz que atualmente os conteúdos do currículo aplicados nas salas de aula nem sempre interessam aos alunos. Estes alunos são, geralmente, oriundos de famílias com inúmeras desestruturas familiares e problemas diversos, tais como falta de emprego, drogas, preconceito, racismo, dentre e outros; e a disputa ocorre porque esses problemas não entram nos currículos escolares, porque não há tempo para eles. Segundo Arroyo, o conhecimento transmitido nas escolas está com “data de validade vencida”, ou seja, é necessário rever e inovar quais conteúdos farão parte do currículo. Ele acrescenta, ainda, que, na realidade, não é tanto o currículo que está em disputa, mas a docência, o trabalho, a liberdade criativa dos professores. Está em disputa o conhecimento, a cultura e sua rica diversidade.
            O texto de Sacristán traz, em seu bojo, a ideia de que o currículo apresenta uma função dupla que é organizadora e unificadora do ensino – aprendizagem, ou seja, organiza o que vai ser ensinado e unifica os conteúdos que as redes de ensino vão ensinar. Percebemos essa  unificação quando lemos a definição da BNCC, que  é o documento definidor de conhecimentos essenciais que todos os alunos da Educação Básica têm o direito de aprender. Nesse sentido, ela serve como referência comum para todos os sistemas de ensino e contribui para promover a equidade educacional de norte a sul do país. Ela orienta, modela e também limita a autonomia dos professores na seleção de conteúdos, estabelecendo aí um território em disputa.
            A realidade de nossas escolas brasileiras não é muito diferente das escolas da Espanha, no que se refere ao poder regulador do currículo, a partir do qual o mesmo, desde os primórdios o tempo, as modalidades e as práticas de ensino e aprendizagem são regulados com regras e normas. No nosso caso, o tempo escolar é dividido em níveis e modalidades, cada nível com uma quantidade de anos escolares, com o controle  do que vai ser ensinado em cada ano, nível e etapa. O  currículo tem o papel decisivo de ordenar os conteúdos a ensinar; um poder regulador que se somou à capacidade igualmente reguladora de outros conceitos, como o de classe (turma), empregado para distinguir os alunos entre si e agrupá-los em categorias que os definem e classifiquem.  Esse poder regulador não é neutro, é cercado por interesses mesmo conflituosos, uma vez que toda escolha pressupõe deixar algo de lado, que, dentro das escolas, na formação dos estudantes, pode ser do interesse particular de um determinado grupo. No nosso caso brasileiro, muitas vezes o currículo está simplesmente serviço do capital e do trabalho e a formação humana fica de lado.
            Em qualquer nível de ensino, ao organizar o currículo, algumas indagações vêm à tona: Que objetivos se pretende atingir? O que se quer ensinar? Por que se quer ensinar? Como ensinar? Sabemos que respostas a essas indagações não são neutras, estão imersas a relações de poder e o professor nem sempre dispõe de autonomia para repassar os conhecimentos de acordo com as necessidades sociais do grupo com o qual trabalha, pois tem um currículo prescrito a seguir. Esse tipo de currículo, por tradição é pensado fora das especificidades das salas de aula, por profissionais que sequer entraram numa sala de aula enquanto professor.
            O professor, ao colocar em prática o planejamento por meio do currículo real, deve possuir autonomia. Nesse processo, pode haver muitas modificações, que não são necessariamente ruins, pelo contrário, o conhecimento institucional (prescrito) quando vivenciado (currículo real) nos dá oportunidades de gerar novos conhecimentos, possui assim um saber significativo. Este saber, baseado na teoria da aprendizagem significativa, de Ausubel, parte do princípio construtivista, no qual o professor, por meio de sua prática pedagógica, identifica os conhecimentos prévios dos alunos.  A partir dessa identificação, ensina de acordo, para que os novos conhecimentos se relacionem com os aqueles já existentes na estrutura cognitiva do aluno, ocorrendo assim uma aprendizagem significativa.
            É importante mencionar o currículo oculto, também objeto de reflexão do autor em tela. Na realidade, o currículo oculto não faz parte do currículo prescrito nem real, mas que contribui para as aprendizagens sociais relevantes, o que se aprende nesse currículo são atitudes comportamentos valores e orientações. Acontece lá na sala de aula, na interação do professor com os alunos, não é planejado pelo fato de suas ações serem tácitas e incidentais. Do meu ponto de visto, acho que o professor deve possuir conhecimentos suficientes para lidar com esse tipo de currículo, além de deter sensibilidade e controle emocional para intervir em situações imprevistas. O papel do professor é fundamental neste sentido, por ter como principal motivação conduzir o aluno ao processo pedagógico considerando que este aluno já traz um conjunto de saberes. O currículo é, portanto, instrumento orientador do desenvolvimento da educação em determinado contexto social. Neste processo, percebo que nenhum currículo é ingênuo, uma vez que a elaboração deste é revestida dos ideais e concepções de sujeito que a escola defende e dos agentes que a compõem.
            A propósito, continuando a escrita de meu diário de aprendizagem, trago para reflexão as práticas educativas, propostas por Antoni Zabala, pedagogo espanhol. Ao refletir sobre as propostas metodológicas deste autor, permite  estabelecer as relações entre as idéias do mesmo e o currículo, que não só seleciona os conteúdos a serem ensinados como também orienta a forma de como esses conteúdos são ensinados.
            Enquanto professor, sou sabedor que a ordem e a forma que os conteúdos são ensinados tem grande influência no desempenho da aprendizagem dos alunos. Tão importante dominar os conteúdos que serão ensinados, é saber a forma como os alunos melhor aprendem. Nesse sentido, as sequências didáticas (práticas educativas propostas pelo autor) e as suas fases é uma metodologia que enriquece o trabalho do professor e promove uma aprendizagem significativa por parte do aluno. O autor define sequências didáticas como um conjunto ordenado de atividades estruturadas e articuladas para a consecução de um objetivo educacional em relação a um conteúdo concreto. Portanto, ao planejar uma atividade como esta, o essencial  é conhecer bem os alunos, seus níveis de conhecimentos, ou seja, identificar seus conhecimentos prévios  para poder planejar uma sequência didática que esteja à altura dos conhecimentos deles.
            Após analisar as quatro unidades didáticas presentes no texto e também as reflexões das aulas desde o início do mestrado, fica evidente que, para uma aula bem planejada, uma vez identificada as sequências de conteúdo, o passo seguinte consiste em relacionar os  conteúdos entre si,  os factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais e que não podem ser indissociados um do outro. Podemos trabalhar todos eles de maneira a compreender como funcionam, e posteriormente, incluí-los em definitivo aos nossos saberes. Zabala aborda a tipologia de  conteúdos da seguinte forma: os conteúdos factuais englobam o conhecimento de fatos, situações, dados, fenômenos concretos e singulares; os conteúdos conceituais referem-se à construção ativa de capacidades intelectuais para operar símbolos, imagens, ideias e representações que permitam organizar as realidades; os conteúdos procedimentais referem-se ao saber fazer com que os alunos constroem instrumentos para analisar, por si mesmos, os resultados que obtém e os processos que colocam em ação para atingir as metas que se propõem; e os conteúdos atitudinais referem-se à formação de atitudes e valores em relação à informação recebida, visando à intervenção do aluno em sua realidade.
            Os conteúdos atitudinais fazem parte do currículo oculto da escola. As considerações destes conteúdos exigem que se deem uma atenção especial à série de medidas que se toma na escola e nunca foi objeto dos planos de ensino. No entanto, a manifestação explícita dos conteúdos em geral implícitos, e a reflexão geral dos professores e de todos, bem como os alunos, é algo primordial para a formação humana dos sujeitos.
            O autor afirma que não basta trabalhar os conteúdos de acordo com as tipologias, é necessário saber que eles estão associados. Isto quer dizer que, quando trabalhamos com essas tipologias, estamos trabalhando com fatos, conceitos, procedimentos e atitudes. Nesse caso, é importante conhecer e entender todas as tipologias e trabalhar contemplando todas elas para que o educando possa receber uma formação integral.
            Zabala menciona que a prática educativa por meio de sequências didáticas, favorece um maior grau de significância das aprendizagens e que os professores prestem atenção à diversidade. Nesse sentido, ele defende uma concepção construtivista de produção de aprendizagens validadas empiricamente, utilizando teorias de Vigotski, como a zona de desenvolvimento proximal, a aprendizagem significativa de Ausubel, a abordagem humanística de Carl Rogers e as pedagogias de Paulo Freire. Segundo o autor, a aprendizagem é uma construção pessoal que cada aluno realiza graças à ajuda que recebe de outras pessoas.
            Um currículo que priorize uma formação integral do sujeito, independente de sua neutralidade e/ou poder regulador, é aquele que, na organização de suas práticas educativas, especificamente no planejamento em uma sequência didática, utiliza como requisitos básicos no desenvolvimento da aula: sondagem dos conhecimentos prévios dos alunos; os novos conteúdos possuam significância e funcionalidades; os conteúdos sejam adequados ao nível de desenvolvimento dos alunos; criação de zonas de desenvolvimento proximal e intervir; provocação um conflito cognitivo e promovam e a atividade mental do aluno; promovam uma atitude favorável, ou seja, motivadoras em relação à aprendizagem dos novos conteúdos; que estimulem à auto-estima e o autoconceito em relação à aprendizagem que se propõe; que ajudem o aluno a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender. Um currículo assim organizado, sem dúvida proporcionará uma aprendizagem significativa.
            Levando-se em conta o que foi observado e a reflexão realizada nestes dois textos, de autoria de renomados pesquisadores, como Sacristán e Zabala, é obvio que o currículo não se resume a uma lista de conteúdos, ou simplesmente a uma grade curricular. Conforme Miguel Arroyo, quando falamos em grades, logo vem à nossa mente, a metáfora de grades de prisão, ou seja, o  que está dentro não sai e o que está fora não entra. O termo currículo, em um sentido mais amplo, envolve além da listagem de conteúdos, um conjunto de discursos, documentos, histórias e práticas que imprimem identidades nos indivíduos envolvidos no processo escola. Fazem parte do currículo também as práticas educativas, que, como exemplo, temos as sequências didáticas e de conteúdo, que se bem trabalhadas, seguindo as tipologia de conteúdos, na concepção construtivista, teremos um processo de ensino e aprendizagem significativo e de qualidade a nossos alunos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARROYO, Miguel G. Currículo, Território em Disputa. 5. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
 BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 25 de março de 2020.
SACRISTÁN, José Gimeno. A função aberta da obra e seu conteúdo. In: SACRISTÁN, J. G. (Org.). Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013.
ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 1998.

segunda-feira, 23 de março de 2020

A APRENDIZAGEM DOS CONTEÚDOS SEGUNDO SUA TIPOLOGIA


         Os modelos de ensino devem ser capazes de atender à diversidade dos alunos, existe uma série de princípios psicopedagógicos em torno da concepção construtivista da aprendizagem suficientemente validados empiricamente que, como veremos, são determinantes para estabelecer referências e critérios para análise da prática e da intervenção pedagógica.

            A concepção construtivista, proposta por Zabala (2010), partindo da natureza social e socializadora da educação escolar e do acordo construtivista que desde algumas décadas se observa nos âmbitos da psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem, reúne uma série de princípios que permitem compreender a complexidade dos processos de ensino/aprendizagem e que se articulam em torno da atividade intelectual implicada na construção de conhecimentos.

            Sob a ótica do construtivismo, existem alguns elementos que auxiliam no processo de ensino – aprendizagem, elementos estes oriundos de teóricos da aprendizagem, tais como Vigostski, David Ausubel, Piaget, Carl Rogers, dentre outros. Nesse sentido, eis algumas contribuições, principalmente quando se trata do trabalho com sequências didáticas ou até mesmo um plano de aula:
a)    que nos permitam determinar os conhecimentos prévios que cada aluno tem em relação aos novos conteúdos de aprendizagem?
b)    cujos conteúdos são propostos de que forma que sejam significativos e funcionais para os alunos?
c)    que possamos inferir que são adequados ao nível de desenvolvimento de cada aluno?
d)    que apresentem um desafio alcançável para o aluno, quer dizer, que levam em conta suas competências atuais e as façam avançar com a ajuda necessária; portanto, que permitam criar zonas de desenvolvimento proximal e intervir?
e)    que provoquem um conflito cognitivo e promovam a atividade mental do aluno, necessária para que estabeleça relações entre os novos conteúdos e os conhecimento prévios?
f)     que promovam uma atitude favorável, quer dizer, que sejam motivadoras em relação à aprendizagem dos conteúdos?
g)    que estimulem a auto-estima e o autoconceito em relação às aprendizagens que se propõem, quer dizer, que o aluno possa sentir que em certo grau aprendeu, que seu esforço valeu a pena?
h)   que ajudem o aluno a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender, que lhe permitam ser cada vez mais autônomo em suas aprendizagens?

Os conteúdos, na concepção construtivista, são trabalhados segundo a seguinte tipologia:
Conteúdos factuais
            Os conteúdos factuais englobam o conhecimento de fatos, situações, dados, fenômenos concretos e singulares. São conhecimentos indispensáveis para a compreensão da maioria das informações e problemas que surgem na vida cotidiana e profissional. Considera-se que o aluno/a aprendeu um conteúdo factual quando é capaz de reproduzí-lo. Portanto, a compreensão não é necessária. Diz-se que o aluno/a aprendeu quando é capaz de recordar e expressar de maneira exata o original. Quando se referem a acontecimentos pede-se uma lembrança o mais fiel possível. Se já se tem uma boa compreensão dos conceitos a que se referem os dados, fatos ou acontecimentos, a atividade fundamental para sua aprendizagem é a cópia. Este caráter reprodutivo comporta exercícios de repetição verbal e escrita, etc. Para fazer estes exercícios de caráter rotineiro é imprescindível uma atitude ou predisposição favorável.  
                                                                       
Conteúdos conceituais
            Os conteúdos conceituais abrangem os conceitos e princípios. Os conceitos se referem ao conjunto de fatos, objetos ou símbolos que têm características comuns, e os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato, objeto ou situação em relação a outros fatos, objetos ou situações e que, normalmente, descrevem relações de causa-efeito ou de correlação. Considera-se que o aluno/a aprendeu quando este é capaz não apenas de repetir sua definição, mas também utilizá-la para a interpretação, compreensão ou exposição de um fenômeno ou situação; quando é capaz de situar os fatos, objetos ou situações concretas naquele conceito que os inclui.  

Conteúdos procedimentais
Um conteúdo procedimental é um conjunto de ações coordenadas dirigidas para a realização de um objetivo. São conteúdos procedimentais: ler, desenhar, observar, calcular, classificar, traduzir, recortado, saltar, inferir, fazer gráficos e tabelas, propor estratégias para resolução de problemas, etc. Em termos gerais, aprendem-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida. O segundo passo é que a exercitação múltipla – fazê-lo tantas vezes quantas forem necessárias – é o elemento imprescindível para o domínio competente do conteúdo. A reflexão sobre a própria atividade é o terceiro passo e permite que se tome consciência da atuação. O quarto e último passo é a aplicação em contextos diferenciados que se baseia no fato de que aquilo que se aprende será mais útil na medida em que se pode utilizá-lo em situações nem sempre previsíveis.

  Conteúdos atitudinais
 O termo conteúdo atitudinal engloba valores, atitudes e normas. Cada grupo, apresentando uma natureza suficientemente diferenciada. Considera-se que o aluno adquiriu um valor quando este foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo. Quem aprendeu uma atitude, quando pensa, sente e atua de uma forma mais ou menos constante frente ao objeto concreto para quem dirige esta atitude.
Os tipos de conteúdos estão geralmente associados a verbos que caracterizam habilidades e competências (BERNINI, 2012):
Conteúdos factuais e conceituais: identificar, reconhecer, classificar, descrever, comparar, conhecer, explicar, relacionar, situar (no espaço ou no tempo), lembrar, analisar, inferir, generalizar, comentar, interpretar, tirar conclusões, esboçar, indicar, enumerar, assinalar, resumir, distinguir, aplicar.
Conteúdos procedimentais: manejar, confeccionar, utilizar, construir, aplicar, coletar, representar, observar, experimentar, testar, elaborar, desenhar, simular, demonstrar, reconstruir, planejar e executar.
Conteúdos atitudinais: comportar-se (de acordo com), respeitar, tolerar, apreciar, ponderar (positiva ou negativamente), aceitar, praticar, ser consciente de, reagir a, conformar-se com, agir, conhecer, perceber, estar sensibilizado, sentir, prestar atenção à, interessar por, obedecer, permitir, preocupar-se com, deleitar-se com, recrear-se, preferir, inclinar-se a, ter autonomia, pesquisar, estudar.
            Zabala afirma que não basta trabalhar os conteúdos de acordo com as tipologias, é necessário saber que eles estão associados. Isto quer dizer que quando trabalhamos com essas tipologias, estamos trabalhando com fatos, conceitos, procedimentos e atitudes. Nesse caso, é importante conhecer e entender todas as tipologias e trabalhar contemplando todas elas para que o educando possa receber uma formação integral.

REFERÊNCIAS:
BERNINI, D. S. D.; COSTA NETO, P. L. O.; GARCIA, S.. Objetivos procedimentais, atitudinais e conceituais na avaliação da aprendizagemIn: Workshops do CBIE. Rio de Janeiro. Anais dos Workshops do Congresso Brasileiro de Informática na Educação. 2012.
ZABALA, Antoni. A Prática Educativa – como ensinar. Porto Alegre: artmed, 1998.