Os
modelos de ensino devem ser capazes de atender à diversidade dos alunos, existe
uma série de princípios psicopedagógicos em torno da concepção construtivista
da aprendizagem suficientemente validados empiricamente que, como veremos, são
determinantes para estabelecer referências e critérios para análise da prática
e da intervenção pedagógica.
A concepção construtivista, proposta por Zabala
(2010), partindo da natureza social e socializadora da educação escolar e do
acordo construtivista que desde algumas décadas se observa nos âmbitos da
psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem, reúne uma série de princípios
que permitem compreender a complexidade dos processos de ensino/aprendizagem e
que se articulam em torno da atividade intelectual implicada na construção de
conhecimentos.
Sob a ótica do construtivismo,
existem alguns elementos que auxiliam no processo de ensino – aprendizagem,
elementos estes oriundos de teóricos da aprendizagem, tais como Vigostski,
David Ausubel, Piaget, Carl Rogers, dentre outros. Nesse sentido, eis algumas
contribuições, principalmente quando se trata do trabalho com sequências
didáticas ou até mesmo um plano de aula:
a) que nos
permitam determinar os conhecimentos prévios que cada aluno
tem em relação aos novos conteúdos de aprendizagem?
b) cujos
conteúdos são propostos de que forma que sejam significativos e funcionais
para os alunos?
c) que possamos
inferir que são adequados ao nível de desenvolvimento de cada
aluno?
d) que apresentem
um desafio alcançável para o aluno, quer dizer, que levam em conta suas
competências atuais e as façam avançar com a ajuda necessária; portanto, que permitam
criar zonas de desenvolvimento proximal e intervir?
e) que provoquem
um conflito
cognitivo e promovam a atividade mental do aluno, necessária
para que estabeleça relações entre os novos conteúdos e os conhecimento
prévios?
f) que promovam
uma atitude
favorável, quer dizer, que sejam motivadoras em relação à aprendizagem
dos conteúdos?
g) que estimulem
a auto-estima
e o autoconceito em relação às aprendizagens que se propõem, quer
dizer, que o aluno possa sentir que em certo grau aprendeu, que seu esforço
valeu a pena?
h) que ajudem
o aluno a adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender, que
lhe permitam ser cada vez mais autônomo em suas aprendizagens?
Os
conteúdos, na concepção construtivista, são trabalhados segundo a seguinte
tipologia:
Conteúdos factuais
Os
conteúdos factuais englobam o conhecimento de fatos, situações, dados,
fenômenos concretos e singulares. São conhecimentos indispensáveis para a
compreensão da maioria das informações e problemas que surgem na vida cotidiana
e profissional. Considera-se que o aluno/a aprendeu um conteúdo factual quando
é capaz de reproduzí-lo. Portanto, a compreensão não é necessária. Diz-se que o
aluno/a aprendeu quando é capaz de recordar e expressar de maneira exata o
original. Quando se referem a acontecimentos pede-se uma lembrança o mais fiel
possível. Se já se tem uma boa compreensão dos conceitos a que se referem os
dados, fatos ou acontecimentos, a atividade fundamental para sua aprendizagem é
a cópia. Este caráter reprodutivo comporta exercícios de repetição verbal e
escrita, etc. Para fazer estes exercícios de caráter rotineiro é imprescindível
uma atitude ou predisposição favorável.
Conteúdos conceituais
Os
conteúdos conceituais abrangem os conceitos e princípios. Os conceitos se
referem ao conjunto de fatos, objetos ou símbolos que têm características
comuns, e os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato, objeto
ou situação em relação a outros fatos, objetos ou situações e que, normalmente,
descrevem relações de causa-efeito ou de correlação. Considera-se que o aluno/a
aprendeu quando este é capaz não apenas de repetir sua definição, mas também
utilizá-la para a interpretação, compreensão ou exposição de um fenômeno ou
situação; quando é capaz de situar os fatos, objetos ou situações concretas
naquele conceito que os inclui.
Conteúdos procedimentais
Um
conteúdo procedimental é um conjunto de ações coordenadas dirigidas para a
realização de um objetivo. São conteúdos procedimentais: ler, desenhar,
observar, calcular, classificar, traduzir, recortado, saltar, inferir, fazer
gráficos e tabelas, propor estratégias para resolução de problemas, etc. Em
termos gerais, aprendem-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos
especializados. A realização das ações que compõem o procedimento ou a
estratégia é o ponto de partida. O segundo passo é que a exercitação múltipla –
fazê-lo tantas vezes quantas forem necessárias – é o elemento imprescindível
para o domínio competente do conteúdo. A reflexão sobre a própria atividade é o
terceiro passo e permite que se tome consciência da atuação. O quarto e último
passo é a aplicação em contextos diferenciados que se baseia no fato de que
aquilo que se aprende será mais útil na medida em que se pode utilizá-lo em
situações nem sempre previsíveis.
Conteúdos atitudinais
O termo conteúdo atitudinal engloba valores,
atitudes e normas. Cada grupo, apresentando uma natureza suficientemente
diferenciada. Considera-se que o aluno adquiriu um valor quando este foi
interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que
deve se considerar positivo ou negativo. Quem aprendeu uma atitude, quando
pensa, sente e atua de uma forma mais ou menos constante frente ao objeto
concreto para quem dirige esta atitude.
Os tipos de
conteúdos estão geralmente associados a verbos que caracterizam habilidades e
competências (BERNINI, 2012):
Conteúdos factuais e
conceituais: identificar, reconhecer, classificar, descrever, comparar,
conhecer, explicar, relacionar, situar (no espaço ou no tempo), lembrar,
analisar, inferir, generalizar, comentar, interpretar, tirar conclusões,
esboçar, indicar, enumerar, assinalar, resumir, distinguir, aplicar.
Conteúdos procedimentais: manejar, confeccionar,
utilizar, construir, aplicar, coletar, representar, observar, experimentar,
testar, elaborar, desenhar, simular, demonstrar, reconstruir, planejar e executar.
Conteúdos atitudinais: comportar-se (de acordo
com), respeitar, tolerar, apreciar, ponderar (positiva ou negativamente),
aceitar, praticar, ser consciente de, reagir a, conformar-se com, agir,
conhecer, perceber, estar sensibilizado, sentir, prestar atenção à, interessar
por, obedecer, permitir, preocupar-se com, deleitar-se com, recrear-se,
preferir, inclinar-se a, ter autonomia, pesquisar, estudar.
Zabala afirma que não basta trabalhar os conteúdos de
acordo com as tipologias, é necessário saber que eles estão associados. Isto
quer dizer que quando trabalhamos com essas tipologias, estamos trabalhando com
fatos, conceitos, procedimentos e atitudes. Nesse caso, é importante conhecer e
entender todas as tipologias e trabalhar contemplando todas elas para que o
educando possa receber uma formação integral.
REFERÊNCIAS:
BERNINI, D. S. D.;
COSTA NETO, P. L. O.; GARCIA, S.. Objetivos
procedimentais, atitudinais e conceituais na avaliação da aprendizagem. In:
Workshops do CBIE. Rio de Janeiro. Anais dos Workshops do Congresso Brasileiro
de Informática na Educação. 2012.
ZABALA, Antoni. A Prática Educativa – como
ensinar. Porto Alegre: artmed, 1998.
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