De início, será importante
realizar a definição do termo paradigma. Geralmente, de maneira generalizada se
define como sendo modelo. Para Pabis (2013) “paradigma é entendido como um
modelo que é aceito e têm seus fundamentos nos princípios sociológicos,
filosóficos, econômicos, políticos, culturais e nas demandas da sociedade.” Já
para Khun (1970) apud Pebis (2013, p. 52)
“um paradigma é um modelo ou padrão aceitos, que pode ser muito bem delimitado,
tanto no âmbito como na precisão.”
Serão
apresentados três paradigmas curriculares:
·
TÉCNICO –
LINEAR – emerge do interesse técnico e tem Ralph Tyler como seu
principal representante. Sua característica básica é a ênfase em objetivos, estratégias,
controle e avaliação. Este paradigma possui uma analogia entre a orientação na
escola e na indústria e o currículo com os seguintes princípios: a) preparar
indivíduos para desempenhar funções definidas em uma situação também definida;
b) basear o conteúdo curricular numa análise das funções específicas a serem
desempenhadas e na situação também específica na qual devem ser desempenhadas.
As preocupações eram as mesmas da indústria: estabelecer metas, as formas de
trabalho e avaliar para se certificar se as metas estavam sendo atingidas. Os
princípios retirados do sistema de produção, aplicados ao currículo devem
transformar o aluno num produto fabril, controlado por um técnico altamente
qualificado.
Na década
de 1960, Hilda Taba realizou estudos no sentido de desenvolver o trabalho de
Tyler e propõe sete passos para a elaboração de um currículo: seleção de
conteúdos, formulação de objetivos, organização de conteúdos, seleção de
atividades de aprendizagem, organização de atividades de aprendizagem,
determinação do que vai se avaliar e de que maneira e com quais meios.
Esse
paradigma teve forte influência na construção do pensamento curricular
brasileiro, influenciou a tendência definida na Lei 5692/71 cujo foco era a
formação profissional; os currículos eram bem definidos, os objetivos eram
formulados em termos comportamentais.
·
CIRCULAR
CONSENSUAL – surgiu a partir da constatação de que o paradigma
técnico-linear não atendia as necessidades educacionais do momento. Os
principais pensadores desse paradigma foram Maxine Greene e Willian F. Pinar. A
idéia que mais influenciou o surgimento desse paradigma foi “ a consciência de
que a escola está inserida na sociedade e que seus problemas não são só
problemas educacionais, mas também sociais, políticos, econômicos, e de que não
podemos esperar mudanças estruturais na escola, a não ser que essas aconteçam
na sociedade como um todo.
Neste
paradigma, o currículo está centrado nas experiências dos alunos e nas suas
necessidades latentes e/ou manifestas. Possui como influenciadores Paulo
Freire, John Dewey e Kilpatrick.
·
DINÂMICO-DIALÓGICO – emerge
do processo de aprendizagem com interesse de emancipação. Inspira-se no enfoque
praxiológico e assenta-se em três premissas básicas oriundas do pensamento
neomarxista: a) o currículo não pode ser separado da totalidade do social, deve
ser historicamente situado e culturalmente determinado; b) o currículo é um ato
inevitavelmente político que objetiva a emancipação das camadas populares; c) a
crise que atinge o campo de currículo não é conjuntural, ela é profunda e de
caráter estrutural.
Para
Domingues (1986) apud Pabis (2013, p. 64) “é possível visualizar em Libâneo
(1984), Melo (1982), Saviani (1984), dentre outros, a tendência dinâmico –
dialógica. Segundo estes autores, três idéias se colocam como centrais: a
escola pública, o professor e o livro didático.
A escola
pública por ser espaço onde confluem interesses do Estado e das camadas
populares, deve ser vista como instrumento de transformação social; é local
destinado para a socialização do conhecimento elaborado; espaço de distribuição
do conhecimento para as classes populares, de assegurar a essas camadas o
acesso ao conjunto das conquistas armazenadas pelo homem na sua trajetória
histórica.
Na escola
pública, o ‘professor é o principal mediador entre quantidade-qualidade do
diálogo estabelecido entre o aluno e o conhecimento, o aluno e a criatividade,
o aluno e a realidade.
A escola
pública tem no livro didático um instrumento para veiculação do saber
sistematizado; deve ser visto como depositário
organizado do conhecimento que se processa e se acumula no mundo social e, como
tal, ele deve corporificar as informações basilares de determinada matéria /
disciplina, de forma correta, atualizada, seqüenciada e dosada.
Quadro
dos principais paradigmas curriculares:
|
PARADIGMA
|
INTERESSE HUMANO
|
PENSADOR RESPONSÁVEL
|
|
Técnico
- linear
|
Técnico
|
Ralph
W. Tyler
|
|
Circular
Consensual
|
De
consenso
|
Maxine
Greene e Willian F. Pinar
|
|
Dinâmico
- dialógico
|
Emancipador
|
Michael
Apple e Henry Giroux
|
MODALIDADES CONTEMPORÂNEAS DE CURRÍCULO
A
forma de organização dos currículos, se por áreas do conhecimento, disciplinas,
por problemas, por centros de interesse, por competência, por temas geradores.
Estas formas de organização do currículo são chamadas de modalidades de
organização do currículo.
Para
Santomé (1998) apud Pabis (2013, p. 68) existe a organização curricular por
disciplinas e a que contempla a integração; nesta são encontradas as clássicas
e as contemporâneas.
A
forma de organização por disciplinas é aquela encontrada nas nossas escolas,
chamada por Basil Berstein de currículo “tipo
coleção”. Os conteúdos são isolados uns dos outros e normalmente o controle é
feito por agentes externos.
O
currículo disciplinarizado é muito criticado. Dentre as críticas, a de que o
centro da proposta são as disciplinas e não os interesses dos alunos; que não
são consideradas as experiências dos alunos e nem as problemáticas do meio
sócio-cultural e ambiental.
Existe
também o currículo integrado, organizado de forma a atender a compreensão
global do conhecimento, tendo o trabalho como princípio educativo e trabalhando
os conceitos trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Essa modalidade de
currículo ainda é recente e é ideal para o ensino médio integrado à educação
profissional.
Outra
proposta de trabalho integrado que merece ser destacada é o método de projetos.
Seu percursor é Kilpatrick, que inspirou nos trabalhos de Dewey, com quem
trabalhou. Adota a palavra projeto como sinônimo de realização das intenções.
Existe a modalidade curricular por disciplinas, interdisciplinaridade,
transdisciplinaridade.
Fica
evidente que a definição das modalidades fica a cargo da iniciativa dos professores
e demais profissionais da escola e não como decorrência de uma política pública
adotada.
OBS: Síntese de parte do livro da
referência abaixo.
REFERÊNCIA:
PIBIS, Nelsi Antônia. Escola, Currículo e Avaliação.
Unicentro, Parana. 2013.
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