sábado, 14 de setembro de 2019

MEMORIAL

REMEMORAR COM NOSTALGIA


INTRODUÇÃO

            A exigência de construir este memorial será uma oportunidade ímpar para meu crescimento acadêmico. Uma ação complexa para relembrar e refletir sobre minha trajetória pessoal, acadêmica e profissional. Será um momento de nostalgia, sobretudo das situações vividas que não mais serão vivenciadas. Refletir sobre minha pessoa, minha subjetividade poderá dar-me a oportunidade de um conhecimento profundo sobre minha vida que talvez não tivesse em nenhum momento realizado tal ação.
            Redigir este memorial, sem dúvida irá proporcionar-me burilar meus conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Cada fase, cada etapa de caídas e levantadas, além de experiência, foi também de aprendizado. Entretanto, é necessário reflexão, somente relembrar não basta. Acredito, que há uma intenção recôndita ao escrever este memorial, apesar de nem todos os acontecimentos serem expostos. Assinalo, ao longo do discurso, momentos e situações que julgo mais significativos.

O início de tudo

            Nasci numa madrugada friorenta do dia 20 de abril de 1979, numa casinha simples, na localidade de Água Suja, no município de Bonfinópolis de Minas - MG, com a ajuda de duas parteiras (mulheres que não são médicas, mas assistem e auxiliam a parturiente). Sou o primogênito de uma irmandade de nove irmãos, filho de pais humildes, mas que sempre prezaram pelo respeito ao próximo e a honestidade, valores que repasso também a meus filhos. Nasci no seio de uma família simples, mas que o básico nunca faltou, inclusive o amor e a esperança por dias melhores.
            Até parte da minha terceira infância, morei próximo a meus avós maternos e paternos, o que me fez ser uma criança literalmente feliz. Brincava de carrinho de "marmelada", jogava bola e a bola era "lobeira" (uma espécie de fruto do cerrado mineiro que parece uma bola de futebol) e subia em árvores com meus tios de dois e três anos mais velhos do que eu. Com cinco e/ou seis anos de idade já ajudava meu avó paterno nos afazeres da fazenda. Auxiliava no plantio de cana, mandioca e "guiava" os bois para ele transportar alguma coisa no carro de boi, o que me traz boas lembranças, não podendo esquecer de quando eu abria a porteira do curral para soltar os bezerros, um de cada vez, na qual Vovô Gabriel (in memoriam)  colocava para apojar na teta da vaca e o leite em seguida, com suas mãos calejadas ele mesmo ordenhava. Quanta saudade eu tenho dessa época!
            Um episódio que não posso deixar de relatar, apesar de eu não recordar, mas minha mãe sempre rememora: foi quando eu coloquei doce na boca de minha irmã, sendo que ela tinha apenas alguns meses de vida, por sorte minha mãe chegou e não matei-a engasgada. Me recordo quando eu e minha irmã aprontávamos alguma peraltice e minha mãe muito nervosa, com uma varinha bem fininha, pegava primeiro minha irmã e batia, enquanto eu corria em volta da casa, mas em seguida, era a minha vez, não tinha como escapar. Varadas que doíam e ao mesmo tempo nos educavam, pois minha mãe batia com amor e não nos espancavam.
            Outro fato que marcou muito minha infância, foi quando ganhei de presente do meu tio meu primeiro e único carrinho. Era um carrinho que quando eu brincava, tinha um leãozinho de plástico em sua carroceria que ia girando, o que para mim era um momento deleite, pois eu brincava muito sozinho e envolvia horas e horas com o brinquedo que eu tanto gostei.

 Anos Iniciais do Ensino fundamental

            Aos sete anos de idade ingressei na primeira série do Ensino Fundamental na Escola Municipal Henrique Luiz Brandão, zona rural de Bonfinópolis de Minas - MG. Não tive a oportunidade de cursar a Educação Infantil, portanto saltei a etapa da psicomotricidade e a maioria das atividades de coordenação motora, o que não foi empecilho para no final daquele ano eu estar totalmente alfabetizado, ou seja, em apenas uma ano, aprendi a ler e a escrever. Foram meus primeiros passos para dar continuidade aos estudos, em busca do tão sonhado saber acadêmico. Menciono aqui, minha primeira professora, também minha prima, inesquecível paradigma de professora alfabetizadora. Atualmente, somos colegas de trabalho, ela aposentada em um cargo e daqui a alguns poucos anos logrará êxito na merecida aposentadoria do segundo cargo.
            Não posso deixar de ementar nesta fase estudantil, na festinha das mães, eu ainda na primeira série, a professora preparou eu e minha colega para homenagear as mães. Minha colega logo começou "Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão, mamãezinha quando dorme põe a mão no coração". Em seguida, seria a minha vez de declamar, mas me deu um branco e na hora me esqueci o que iria pronunciar. Na hora, não lembrei o verso, porém depois nunca mais me esqueci aquela minha fala que não veio à memória "Sou pequenino do tamanho de um botão, carrego papai no bolso e mamãe no coração".
            Para ingressar nos estudos, ganhei de minha avó materna (minha madrinha de batismo) uma pasta azul de plástico para carregar o material escolar, um lápis, uma borracha (de duas cores - vermelho e azul) e um caderno em espiral. No primeiro dia de aula, fui imensamente feliz com meus tios, andando a pé por três quilômetros da minha casa até a escola. Quando cheguei à sala de aula, fui retirar meu material para iniciar a primeira atividade, treinar a coordenação motora com os "L" juntos, que no início só fazia de cabeça para baixo, para a minha triste surpresa meu lápis não estava na pasta, havia perdido-o na estrada. No desespero, com receio da professora chamar minha atenção, pedi meu tio um emprestado, mas ele só tinha um lápis de cor preto, peguei esse mesmo. Na volta para casa, quanta hilaridade! Encontrei meu "lápis novo" perdido numa moita de capim!
            Nesta escola, frequentei até a terceira série, quando meus pais resolveram mudar para o município de Arinos - MG, há aproximadamente uns quarenta quilômetros de distância da localidade onde nós morávamos. Cursei a quarta série na Escola Municipal Rural Alberto Santos Dumont, com a professora Maritânia, também uma exímia profissional. Andava a pé todos os dias, cerca de cinco quilômetros para ir e para voltar, dez quilômetros diariamente, mas foi uma fase ditosa de minha vida estudantil. Nessa fase, a tecnologia era escassa, pelo menos para mim que residia numa localidade longe dos grandes centros urbanos. Entretia com brincadeiras, tais como: roubar bandeira, pique pega, pique esconde, salve latinha, pedir cantinho, corre cutia, amarelinha, futebol e queimada com bola de meia velha, balançar em galhos de árvore, dentre outras, mas era uma criança resiliente e sobretudo feliz, mesmo com a inópia que estava a meu alcance. A rapadura com queijo, o requeijão caseiro e a farofinha de ovo era o lanche preparado com tanto esmero pela minha mãe. Lanche este, que eu levava para a escola e ainda dividia com meus colegas de classe e confraternizava com tamanha singeleza.

Anos Finais do Ensino Fundamental

            A quarta série concluída e o Ensino Fundamental II estava a mais de quinze quilômetros de distância. O que fazer para superar esse entrave? O governo não oferecia transporte escolar ainda. Meus pais não poderiam deixar o seu pedacinho de "chão", o sustento da família para me acompanhar. A solução então encontrada por eles foi me levar para morar de favor, durante a semana, na casa de amigos da "família", no distrito de Sagarana, município de Arinos - MG, onde principiei meus estudos na Escola Estadual Vasco Bernardes de Oliveira, escola em que frequentei por quatro anos, até concluir a oitava série do Ensino Fundamental.
            Foi uma fase muito difícil na minha vida, devido eu ser muito apegado (ainda sou até hoje) aos meus pais, ficar fora de casa no decorrer da semana seria terrível! Quantas vezes eu me peguei chorando, ao sair de casa, pois não conseguia ficar distante de meus pais. Inventava dores de cabeça e de barriga para não ir. Mas eu tinha somente duas opções: ficar fora de casa e estudar ou voltar para casa e abandonar a escola. Diante da situação, eu refletia sobre meu futuro sem estudo e optava pelo sofrimento longe de meus pais e garantir um futuro melhor. Contava cada segundo, minuto, hora, dia... para chegar o final de semana e voltar para casa.
            Nesse ir para Sagarana no início da semana e voltar para casa aos finais de semana, tive muitas dificuldades no que se refere principalmente a transporte. Meus pais não tinham carro. Então, o transporte era cavalo, bicicleta e muitas vezes à pé. Várias vezes andei a pé por quinze quilômetros, mas desistir jamais! Quatro anos pareceu uma eternidade, mas passou.
            Tive admiráveis professores. A escola era magnífica! No final de cada bimestre, havia uma recuperação bimestral, aqueles que não ficavam com a nota abaixo da média, tinha uma semana de folga. Sempre me dedicava e não ficava de recuperação com o intento de ir para casa, ficar com meus pais.
            Um acontecimento considerável que me recordo bem: eu estava cursando a sexta série e aconteceu uma palestra sobre "Reprodução Humana", proferida por um médico. Foi algo extremamente relevante não só para mim, como também para toda a classe, pois tinha muitas dúvidas sobre essa temática. Meus pais não me esclarecia sobre o assunto. Mas tanto eu, como meus colegas, ficamos muito envergonhados e nossa reação era rir. Abaixávamos nossas cabeças por entre as carteiras e ríamos muito, achamos demasiadamente engraçado os esclarecimentos.
            Entretanto, foi uma época de enorme aprendizado e de momentos cômicos. Os professores eram muito eficientes. Eis alguns: a professora Sueli, tão competente professora de matemática; o professor de Língua Portuguesa Paulo, tão sábio e conhecedor do conteúdo; o professor de História José Clair, tão eficiente que ditava a matéria sobre feudalismo sem olhar no livro; a professora de Língua Portuguesa Zânia Domingues explicava a matéria com tamanha eficácia e aplicava prova oral sobre conjugação verbal. Foi realmente uma época de grande relevância para meu crescimento estudantil.

Ensino Médio

            Ao concluir o Ensino Fundamental (antigo 1º grau), vislumbrava outro desafio pela frente. Sagarana não tinha o Ensino Médio. Seria necessário ir para Riachinho - MG, distante a vinte quilômetros da casa de meus pais. Mas era preciso continuar os estudos, não podia, nem queria parar. Ingressei no Ensino Médio Técnico Magistério - habilitação professor de seres iniciais, não existia outra modalidade de Ensino Médio na cidade. Não sabia ainda se tinha vocação para ser professor, mas era o único que estava a minha disposição.
            Comecei o Ensino Médio. Sentia calafrios e dores de barriga quando era necessário ir à frente da classe explicar trabalho, tal prática era necessária, afinal eu estava estudando para ser professor. Com o passar do tempo e as constantes idas à frente da sala de aula simulando a prática de professor fui me avezando.
            No terceiro ano do Ensino Médio participei do Estágio remunerando por seis meses em uma classe de terceira série do Ensino Fundamental. Acurei muito minha prática como professor. Ao concluir o Ensino Médio tive a maior nota da turma em Estágio Supervisionado. Mas não sabia ainda se realmente queria ser professor.

Trajetória Profissional

            Ensino Médio Técnico concluído. E agora, o que fazer? Ir embora para a cidade grande em busca de oportunidades? Eis que surge uma vaga para professor, contrato temporário para uma turma de segunda série, no ano de 1998. Fui indicado pela diretora da escola que cursei o Ensino Médio, por acreditar no meu potencial e pela melhor nota de estágio da turma. Como estava parado há dois meses sem estudar e sem trabalhar, resolvi assumir a turma. Fui muito bem aceito pela comunidade escolar e comecei a gostar da profissão, percebi que tinha vocação e muito a oferecer enquanto professor.
            No ano seguinte, fui trabalhar na Escola Municipal Rural Alberto Santos Dumont, onde havia cursado a quarta série, próximo à casa de meus pais, numa turma multisseriada de 21 alunos, formada por alunos da primeira, segunda, terceira e quarta série do Ensino Fundamental. A escola não possuía nem cantineira nem fogão a gás. Além de exercer a função de professor, deveria preparar o lanche no fogão à lenha e cuidar da limpeza. Desafio e tanto! Mas por incrível que pareça foi fascinante trabalhar nesta escola. O resultado foi surpreendente!
            No início do ano 2000, essa escola encerrou suas atividades em virtude da nucleação das escolas ocorridas no município de Arinos - MG. Fui transferido para Escola Municipal Princesa Isabel, escola pólo distante a quarenta quilômetros de Arinos - MG, onde trabalhei com uma turma de primeira série com quarenta alunos, além de História e Educação Física na quinta e sexta séries do Ensino Fundamental. Outro desafio, mas afinal já estava acostumado com situações adversas, as encarava com entusiasmo e dedicação.
            Em 2001 retornei para Riachinho e assumi uma turma de primeira série do Ensino Fundamental. No final do corrente ano passei no concurso para professor do município e no início de 2002 fui empossado, fazendo parte do Quadro Permanente de Profissionais do Magistério da rede municipal de Ensino de Riachinho - MG. De 2002 a 2004 ao mesmo tempo que atuava como professor municipal, trabalhei também como ATB - Assistente Técnico da Educação Básica na Escola Estadual José de Alencar.
            No início do ano de 2005 fui indicado para diretor da Escola de Ensino Especial Jesuíno Mendes Ferreira - APAE de Riachinho, onde fiquei até 2008, época em que fui aprovado no concurso para Supervisor Pedagógico na rede municipal de Ensino de Riachinho - MG, sendo necessário deixar a direção da Escola da APAE, uma vez que já atuava também como professor. Portanto, desde 2002 sou professor efetivo/concursado e desde 2008 sou supervisor pedagógico concursado, atuando em acumulação legal nos dois cargos até hoje.
            No período de 2013 a 2016 estive diretor da Escola Municipal Diomedes de Araújo Valadares (escola em que atuo), indicado pelo prefeito da época, exercendo cargo comissionado. Os desafios foram muitos, mas com o espírito de união e equipe, conseguimos superá-los e elevar a escolar a um patamar de excelência, no que tange a resultados de avaliações externas. Meu lema enquanto diretor foi ser um profissional exigente, porém justo e humano.

O Ensino Superior

            O ingresso no Ensino Superior sempre esteve em meus planos, embora o maior entrave era morar no interior distante das Instituições que oferecem esse nível de ensino. Por sorte do destino, no ano de 1999, as secretarias municipais de Educação do Noroeste de Minas realizaram um convênio coma a UNIMONTES - Universidade Estadual de Montes Claros com o fito de formar em nível superior seus professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Esta exigência estava expressa na LDB nº 9393/96 e foi criado nessa época o Curso Normal Superior - habilitação para séries iniciais, licenciatura plena.
            Em 1999, trabalhando no município de Arinos, fiz o vestibular, na qual estava ofertando trinta vagas, somente para aquele município, fiquei na sexta colocação, sendo portanto aprovado. Em janeiro do ano de 2000 iniciei os estudos no pólo da UNIMONTES, em Buritis ( o pólo de Buritis aglomerava também os municípios de Arinos, Urucuia e Formoso), na modalidade semipresencial ( no formato modular presencial nos meses de janeiro e julho). O curso realmente atendeu minhas expectativas, pois além de ser ofertado por uma instituição de renome como a UNIMONTES, percebi que novos horizontes estava conhecendo, através das análises críticas, reflexões que eram feitas e os primeiros trabalhos de pesquisa.
            Um acontecimento marcante ocorreu em  minha vida nesse período. Iniciei os estudos no dia 02 de janeiro de 2000 e as aulas iriam até o dia 29 de janeiro e meu casamento estava marcado para o dia 08 desse mesmo mês. Consegui conciliar as duas coisas, pois houve a compreensão  e o entendimento por parte de minha esposa. Concluí o Curso Normal Superior no ano de 2002 com o sentimento e a alegria de estar recebendo um diploma duplo, pois neste período também nasceu minha primogênita de um total de três filhos, que hoje são um pedaço de mim e somos uma família feliz e abençoada por Deus.
            Após a conclusão da Licenciatura em Normal Superior fiquei um período sem estudar, o salário pífio de um cargo somente e já tinha uma responsabilidade a mais: uma família para cuidar e manter. Surgiu uma oportunidade de dobra de turno, logo decidi fazer uma especialização. Escolhi Supervisão Escolar em virtude do art. 64 da LDB nº 9394/96 vir com a seguinte redação: A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional. Como já possuía uma licenciatura, fazendo uma Pós Graduação latu sensu em Supervisão Escolar estaria legalmente habilitado. Concluí essa pós graduação em 2006 na Universidade Cândido Mendes através do programa "A vez do mestre", na modalidade EAD - Educação à Distância, sendo presencial somente as provas de cada componente curricular. Recebia toda orientação à distância para a realização da pesquisa, pois escrevi uma monografia com o título "Inclusão, um direito de igualdade para todos". Foi uma fase de grande aprendizado, me tornei um profissional mais autônomo, pois tinha que estudar sozinho, sem a  presença da figura de um professor por perto.
       Sempre estimei pelas áreas das ciências exatas, apesar de ter trabalhado somente três meses nesta área. Após concluir a Pós Graduação em Supervisão Escolar, descobri que inaugurava o Curso de Licenciatura em Física na FINOM - Faculdade do Noroeste de Minas em Paracatu - MG. Trabalha em dois cargos, mas era detentor de apenas um do quadro efetivo, era uma oportunidade a mais para a carreira profissional. Me deparei com desafios para realizar o curso de Física, uma vez que Paracatu está a mais de duzentos quilômetros de Riachinho, teria que ficar os meses de janeiro e julho fora de casa, sem descanso, pois o curso era modular. Sobretudo a simpatia pelas ciências exatas, a vontade de crescer profissionalmente e outras benesses que me traria, fez-me concluir mais um curso superior em 2009. Esse amálgama na trajetória de minha formação levou-me a seguinte indagação: qual caminho seguir, as ciências humanas ou exatas? Entretanto, o pêndulo pendeu para o lado das humanas, em virtude da minha atuação profissional ser a mais tempo nesta área, o que não me faz em momento nenhum desprezar as exatas, apesar de ser professor de Física somente de formação.
            Retornar à academia sempre esteve em meus propósitos. A epistemologia, a pesquisa, o conhecimento... são premissas que me dão um certo friozinho na barriga, mas me atrai. Sinto avidez pela gnosiologia! Outrossim, deliberei que tentaria entrar no mestrado. Muitas vezes me peguei interrogando: como fazer para passar no processo seletivo de mestrado, se é tão difícil e não é para todos? Tentar em uma Instituição pública ou privada? E logo veio a resposta: vou tentar em uma Instituição pública, apesar de ser mais difícil passar no processo seletivo por ser literalmente concorrido, mas minhas condições financeiras não permitem na privada.
            Em busca de um sonho revestido de utopia, comecei o Curso de Inglês (andando trezentos e sessenta quilômetros duas vezes por semana e termino o curso avançado no final do corrente ano), ao mesmo tempo em que comprava livros e estudava sobre: educação, pedagogia, filosofia e formação de professor. No introito de 2018, por meio de redes sociais descobri o PROFEPT, não pensei duas vezes, realizei minha inscrição, estudei e participei do processo seletivo. Não obtive sucesso, pois fiquei no 14º lugar, era somente nove vagas (ampla concorrência), mas desistir nunca esteve em meus projetos pessoais e profissionais. Em dezembro de 2018, quando publicaram o edital para o processo seletivo de 2019, já comecei a estudar, pois para mim só tinha duas opções: passar ou passar, apesar de ser muito concorrido, mais de cem participantes por vaga na modalidade que iria concorrer. Abstive de todo lazer para investir na participação desse processo seletivo. Uma espécie de ansiedade envolvida por expectativa, eu anseiava para olhar o resultado no dia em que foi publicado. Para a minha felicidade, logrei êxito, ficando na posição nº 05 de um total de nove vagas (ampla concorrência).
            Nesta ocasião, quando encabeço os estudos no mestrado em Educação Profissional e Tecnológica no IFB - Instituto Federal de Brasília, passa pela minha cabeça um filme de toda a minha trajetória acadêmica, ao mesmo tempo em que as emoções invadem o meu ser e as melhores expectativas eu prenuncio. Conviver com professores de ponta (os do mestrado PROFEPT do IFB) e colegas excepcionais, sem dúvida será um ensejo único para a construção de novos conhecimentos, o meu fito número um quando decidi que iria tentar o mestrado. A ansiedade com o produto que terei que realizar e aplicar, ao mesmo tempo que os professores nos tentam acalmar, que o mesmo será conseqüência do problema que irei definir para realizar a pesquisa. Agora será definir entre as duas linhas de pesquisa: Gestão e Organização do Espaço Pedagógico em Educação Profissional e Tecnológica e Práticas Educativas em Educação Profissional e Tecnológica.

Minhas inquietações sobre o objeto de estudo

            A linha de pesquisa em que escolhi foi Práticas Educativas em Educação Profissional e Tecnológica pelo fato de aproximar com minha vivência profissional.
            O tema currículo integrado chamou-me a atenção por diversos fatores. Dentre eles, o principal, acredito  que seja uma forma de oportunizar a formação humana ao sujeito. Nesse sentido, vejo que a integração curricular ainda está permeada por desafios. Portanto, já percebo um problema, que ora irei pesquisar e tentar oferecer alguma contribuição no meu campo de pesquisa, que a EFAN – Escola Família Agrícola de Natalândia, uma escola que utiliza a proposta metodológica da Pedagogia da Alternância.       Que elementos pedagógicos estão ausentes para colocar em prática o currículo integrado, na sua totalidade, no Curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio na EFAN?
           O objetivo geral é Identificar os elementos pedagógicos que estão ausentes para colocar em prática o currículo integrado no Curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio na EFAN, propondo possíveis soluções para resolver a situação mencionada.
             O objetivos específicos são:
·         Analisar, do ponto de vista teórico, na literatura educacional, textos que tratam do currículo integrado e também da pedagogia da alternância;
·         Verificar os documentos norteadores e a legislação educacional que tratam sobre o Currículo Integrado;
·         Conhecer o processo formativo dos estudantes, conforme a perspectiva de formação humana, integral, politécnica e omnilateral;
·         Descobrir os elementos pedagógicos que faltam para colocar em prática o currículo integrado;
·         Elaborar um produto educacional com base nas informações encontradas.

·         Demonstrar que é possível e necessário, num curso em que vige a pedagogia da alternância, o trabalho de forma integral.
 A pesquisa e estudo que irei realizar na EFAN – Escola Família Agrícola de Natalândia, ofertante do Curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio traz em seu bojo o interesse em  perceber os elementos pedagógicos ausentes que impedem a prática do Currículo Integrado,  escola esta que utiliza a proposta metodológica da Pedagogia da Alternância. Essa proposta consiste em uma metodologia de organização do ensino escolar que conjuga diferentes experiências formativas distribuídas ao longo de tempos e espaços distintos, tendo como finalidade a formação profissional do jovem.
            O Ensino Médio Integrado à Educação Profissional não se limita à imbricação de disciplinas técnicas à matriz curricular do Ensino Médio, necessita de uma compreensão global do conhecimento. O currículo integrado responde a esse desafio de atender a demanda do mercado de trabalho e formação necessária para garantir a cidadania.
            Na EFAN a procura pela integração entre as 24 disciplinas técnicas às 15 disciplinas gerais é uma constante, porém percebe-se que muitas vezes existem desafios e até mesmo a ausência de elementos pedagógicos que impedem essa integração.
            O currículo integrado está entre as propostas de educação, cujo fito principal é rompimento da ideia de neutralidade e é favorável aos processos de ensino e aprendizagem que colabora com a emancipação do ser humano.  Nesse sentido, a prática do currículo integrado contribui com a formação omnilateral do sujeito, rompendo coma dicotomia entre educação manual / intelectual, no qual todos os trabalhadores serão dirigentes.
            Para Ramos (2008) a integração entre as disciplinas gerais com as especificas implica a integração das dimensões fundamentais da vida: o trabalho, a ciência e a cultura organizam a prática social. Nessa perspectiva, compreender a relação indissociável entre essas três dimensões significa compreender o trabalho como princípio educativo, o que quer dizer que o ser humano é produtor da sua própria realidade.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Em toda a minha trajetória pessoal, profissional e acadêmica sou exageradamente grato a Deus e algumas pessoas (da minha família ou não). Essa convivência com o próximo, com a pessoa humana me fez surpreendentemente uma pessoa feliz e conhecedora de meus direitos e deveres, enquanto cidadão de bem. Cada etapa, cada fase de minha vida foi e será de aprendizado; aprendi e aprendo com momentos bons e ruins. Hoje tento ser melhor que ontem e amanhã tentarei ser melhor que hoje, pois cada dia é um constate aprender.
            Me conhecer foi e será extremamente válido para essa nova fase de minha vida, inclusive na trajetória acadêmica do mestrado que ora principio. Alguns acontecimentos rememorados estavam recônditos e adormecidos e esse pensar profundamente me fez realizar uma análise crítica, pois muita coisa que fiz e vivi, hoje faria diferente em virtude de que cada dia que passa, estou mais maduro e apto a realizar com maior sabedoria.

            Julgo que consegui mostrar um pouco de minha vida (inclusive para mim mesmo), sobretudo meu itinerário pessoal, profissional e acadêmico pelo simples fato de existir e interagir na coletividade, no meio em que estive e estou inserido, meus conhecimentos em diversos momentos vividos e o que pretendo conhecer e realizar.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. LDB - Lei nº 9394/96 de 20 de dezembro de 1996.
https://profept.ifb.edu.br/linhas-de-pesquisa.

RAMOS, Marise Nogueira. Concepção de Ensino Médio Integrado. Natal, 2008.


5 comentários:

  1. Belchior, a sua narrativa tem a marca da nossa região: simplicidade e paixão pelo que faz. Isso faz toda diferença. Me reconheci diversas vezes na sua história...

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    1. Então Rosa, momentos vividos com tamanha simplicidade e nos deixam tanta saudade!

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  2. Belchior, nú, impressionante sua parecença com seu pai. E você, como bom mineiro, é excelente contador de histórias. Fala como escreve, isto é aprendizado do tamanho de uma região. Vc. diz "estimei pelas áreas das ciências exatas" e que as coisas estiveram em seus "propósitos". Riqueza de linguagem, sô! Li seu memorial como se lê um livro bom (O coronel e o lobisomem, Sagarana) e achei pouco, quando cheguei ao fim. Queria mais desse proseado. Abração procê, viu?

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  3. Olá Belchior!
    Você é um exemplo de persistência. Quantas dificuldades vencidas para estudar. Parabéns por sua simplicidade e inteligência.

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  4. Adorei ler o seu texto Belchior! Um exemplo de dedicação pelos estudos e como ele pode transformar nossas vidas!

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