sábado, 7 de dezembro de 2019

RELATÓRIO DA VISITA NO MEU CAMPO DE PESQUISA

CONHECENDO A EFAN

            A EFAN – Escola Família Agrícola de Natalândia, situada no Projeto de Assentamento Saco do Rio Preto, município de Natalândia – MG, iniciou suas atividades em 2007 com o curso de Formação Profissional Técnica de Nível Médio em Agropecuária, Eixo Tecnológico Recursos Naturais, Habilitação em Agropecuária, em regime de Alternância, os alunos ficam em sessão escolar por 15 dias e meio sócio-profissional (em casa) por 15 dias. A Escola Família Agrícola de Natalândia tem um propósito maior, qual seja: a excelência do padrão de qualidade na oferta do curso técnico em agropecuária voltado a atender a agricultura familiar. Seu slogan é “formar mais que técnicos, formar cidadãos.” Para tanto, a referida escola reafirma a necessidade de diálogo permanente entre as práticas educativas escolares e a educação popular, entre os diferentes sujeitos e instituições que as fazem acontecer no cotidiano para que possa responder às demandas que a sociedade e especialmente os segmentos socialmente excluídos trazem para dar continuidade ao seu processo de desenvolvimento pessoal, profissional e social.
            A Escola Família Agrícola de Natalândia recebe atualmente alunos de 24 municípios, sendo a maioria de Minas Gerais (dentre eles: Dom Bosco, Brasilândia, Buritis, Natalândia, João Pinheiro, Unaí, Urucuia, Paracatu, Riachinho, Santa Fé de Minas), alguns do Goiás e Distrito Federal. Sendo um total geral de 465 alunos e 30 funcionários. Destes funcionários, 16 são Monitores Internos (moram na sede da escola, são responsáveis pelos alunos enquanto eles estão na sessão escolar e alguns ainda são professores de disciplinas técnicas/específicas), 14 monitores externos (residem fora da escola e são na maioria professores das disciplinas gerais/propedêuticas); além de mais 03 profissionais que cuidam do pedagógico, sendo 01 coordenador pedagógico, 01 supervisor pedagógico e 01 assessor pedagógico. Sobre a formação dos profissionais é a seguinte: 01 doutor, 02 mestres, 18 com pós-graduação lato-sensu. Os monitores/professores de disciplinas gerais, todos possuem graduação em alguma licenciatura. Já os monitores/professores das disciplinas técnicas são zootecnistas, agrônomos e técnicos em agropecuária e cursando algum curso superior, na maioria bacharelados.
            A seleção de alunos para estudarem na EFAN é realizada da seguinte maneira: publica-se um edital, aplica-se avaliação escrita, oral e discursiva, realiza entrevista com o candidato e com a família. Para a seleção de funcionários, também publica-se edital, realiza uma avaliação escrita e outra prática.              A avaliação prática é organizada por uma comissão de professores veteranos da própria instituição. Todos os monitores tanto os internos como os externos quando são admitidos passam por uma formação pedagógica (na modalidade da pedagógica da alternância) de 40h. Aqueles que assumem as aulas da parte específica e não possuem graduação em licenciatura, assumem sem conhecimento pedagógico quase nenhum.
            A escola possui convênio com o “Múltiplo Escolas em Rede”, no qual recebe o material didático, orientação pedagógica e os simulados impressos com o intento de preparar os estudantes para vestibulares e ENEM. Na parte específica (técnica), o desafio é construir o material didático a partir da realidade dos alunos.
            A Matriz Curricular do Curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio da EFAN é organizada da seguinte forma: a parte geral possui 15 disciplinas (Língua Portuguesa, Redação, Educação Física, Geografia, História, Química, Física, Arte, Língua Estrangeira – Inglês, Sociologia, Filosofia, Matemática –Álgebra, Matemática-Geometria, Biologia e Literatura) e a parte específica/ técnica 24 disciplinas (Máquinas e Mecanização Agrícola, Princípios de Formação, Conservação e Nutrição de Solos e Qualidade de Água, Olericultura e Plantas Medicinais, Agricultura I, Agricultura II, Fruticultura, Silvicultura e Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, Introdução a Zootecnia e Avicultura, Administração,Economia e Políticas Públicas, Agroecologia, Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, Técnicas de Comunicação, Associativismo e Cooperativismo, Legislação Ambiental, Empreendedorismo e Planejamento e Elaboração de Projetos, Suinocultura, Projeto Profissional do Jovem, Segurança no trabalho e Construções e Instalações Rurais, Formação Humanística: Plano de Estudo e Caderno da Realidade, Topografia e Georeferenciamento, Bovinocultura, Informática Básica, Manejo Integrado de Pragas e Sanidade, Irrigação, Produção de água e Conservação do Solo, Agroindústria, Forragicultura e Pastagem). O 1º ano possui 23 disciplinas, sendo 15 geral e 08 específicas; o 2º ano 24 disciplinas, sendo 14 geral e 10 específicas e o 3º ano 24 disciplinas, sendo 14 geral e 10 específicas.
O projeto educativo da Escola Família Agrícola possui quatro pilares fundamentais: Associação, Pedagogia de Alternância, Formação Integral e Desenvolvimento do Meio.
              Um instrumento utilizado para fazer a integração entre os saberes escolares com os saberes cotidianos é o Plano de Estudo. Ele constitui o principal instrumento metodológico na articulação autêntica entre família e escola, conhecimentos empíricos e teóricos, trabalho e estudo. Através do Plano de Estudo, as potencialidades da Alternância se valorizam, tornando-se um ato concreto de fonte de reflexão, problematização e interferência sobre a realidade. Ele é um caminho de mão-dupla, uma que leva os conhecimentos da cultura popular para a EFAN e a outra é responsável de levar para a vida cotidiana as reflexões aprofundadas na escola. Mas nesse caso, parece que nem todas as famílias estão preparadas para auxiliar seus filhos na realização desta atividade por falta de formação. O que fazer neste caso? Como realizar a formação da família? Que intervenções pedagógicas realizar para integrar conhecimentos empíricos com conhecimentos científicos na pedagogia da alternância da EFAN?
               O diálogo entre as disciplinas gerais com as específicas (técnicas) acontece parcialmente. Parece não haver conflitos entre a formação geral e a específica  . Integram elementos (conhecimentos) do passado com o presente. O planejamento de ensino até é construído coletivamente, porém o planejamento de aula, ali no dia-a-dia não é feito assim. O fato dos monitores externos residirem fora do recinto escolar e possuir outras ocupações, nem sempre o currículo integrado é colocado em prática na sua totalidade, pois já chegam no horário da aula e o encontro com os monitores internos fica comprometido. Embora haja parcialmente possibilidades de êxito de um trabalho integrado entre os educadores, ainda existem desafios pedagógicos a serem superados. Entretanto, que elementos e/ou práticas pedagógicas estão ausentes e que dificultam a concretização do currículo integrado na sua totalidade na EFAN?                         
Uma estratégia de integração entre os alunos, específica da Pedagogia da Alternância e que são realizados na EFAN são os serões (reuniões) noturnos. É um  momento importante para socialização de culturas, pois como são 24 municípios atendidos. Estas reuniões são ocupadas com teatro, palestras, filmes, conforme o planejamento com os próprios estudantes ou em reforço escolar e aprofundamento teórico em algum conteúdo, além de atividades de lazer, integração grupal e complementares aos estudos.
  Não existe Plano de Curso na EFAN. O PPP – Projeto Político Pedagógico da Escola e a Matriz Curricular é que organiza toda a dinâmica curricular do Curso Técnico em Agropecuária integrado ao Ensino Médio.


            OBS: Informações obtidas através de conversas informais com diretor, supervisora, professor, pai e aluno da EFAN. Como também consulta ao PPP e Matriz Curricular do Curso

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