Mestrando:
Belchior Ribeiro Leite
Disciplina
Eletiva: Currículo e Formação Integrada T2020-1
Professor: Degmar
dos Anjos
A
IMPLEMENTAÇÃO DO CURRÍCULO INTEGRADO
A proposta de currículo integrado é
a que parece ser mais adequada para atender a necessidade de integrar ensino e
trabalho, visando reduzir a fragmentação do conhecimento ofertado aos alunos.
Logo, ao implementar o currículo integrado, as instituições de ensino têm
enormes ganhos e benefícios, porém enfrentam complexidades, problemas e/ou
críticas.
Muito se discute sobre a
implementação do currículo integrado. Ele contempla a compreensão global do
conhecimento. Nesse sentido, é possível perceber as que vantagens,
principalmente para os estudantes e professores são grandiosas. Costa (2011)
garante que a integração curricular permite maior homogeneidade de ações entre
os professores, enfraquece as regras de enquadramento, ou seja, possibilita
relações mais democráticas entre alunos e professores, conferem maior
iniciativa aos professores e aos alunos, promove maior integração dos saberes
escolares com os saberes cotidianos dos alunos, bem como a integração entre
conhecimentos gerais e conhecimentos específicos e teoria com a prática,
combate uma visão hierárquica e dogmática do conhecimento, ou seja, a noção de
que existem saberes que são sempre mais importantes do que outros.
Além disso, essa prática possibilita
a integração das dimensões fundamentais da vida: trabalho, ciência e cultura. A
sociedade se torna mais inclusiva, a diversidade é reconhecida e valorizada,
além dos direitos sociais serem assegurados. O sujeito é contemplado com uma
formação humana cidadã, ampla, em todos os sentidos, omnilateral. O trabalho
como realização humana e como princípio educativo. Nessa perspectiva, Ramos
(2008) assevera que considerar o trabalho como princípio educativo é o mesmo
que dizer que o homem é produtor de sua realidade, apropria dela, e pode
transformá-la. Significa dizer, ainda, que somos sujeitos de nossa história e nossa
realidade.
Ainda convém lembrar, que a proposta
de integração defendida, possibilita os indivíduos, após formados,
compreenderem a realidade para além de sua aparência fenomênica. A realidade
precisa ser entendida e interpretada na sua essência, compreenda o homem como
ser histórico-social, a realidade concreta é uma totalidade, síntese de
múltiplas relações.
Outro fatores existentes sobre a
implementação do currículo integrado são as complexidades que estão imersas.
Entre elas, estão os ranços da dualidade educacional que coincidem com a
história da luta de classes no capitalismo. Por esse motivo, a educação ainda
continua, em alguns casos, dividida entre aquela destinada à classe proletária
e aquela da classe burguesa. A classe trabalhadora recebe um conhecimento
fragmentado, de menos qualidade, e a elite recebe um conhecimento mais
refinado, de qualidade. Esse fator acaba sendo empecilho para práticas
curriculares integradas. Portanto, a luta contra a dualidade educacional, é
definida como uma luta contra hegemônica, ou seja, é necessário superar a
dominação dos trabalhadores e formar todos como dirigentes. Essa luta requer a
busca por uma concepção de escola unitária, que pressupõe que todos tenham
acesso aos conhecimentos e à cultura, independente da classe social à qual
pertença.
Percebe-se também como desafio à
implantação de currículos integrados, conforme Ramos (2008), o fato de
professores de várias disciplinas do ensino médio serem formados sob o domínio
do positivismo e do mecanicismo das ciências, que as fragmentam nos seus
respectivos campos, hierarquizando-os, dispõem a classificar as disciplinas
como de formação geral e de formação profissional.
Dessa forma, a implementação do
currículo integrado não está imune a críticas. Gameleira e Moura (2017) afirmam
que em muitos casos a integração curricular é apenas uma justaposição /
sobreposição de disciplinas, ao invés de uma verdadeira integração. Contudo,
quando se trata de formação humana integral, é preciso ir além das aparências,
como já mencionado anteriormente. Isso se denomina senso comum da integração,
uma visão simplista e pobre da integração curricular, quando em contraste com a
legislação pertinente. Logo, uma verdadeira integração curricular não pode se
limitar a uma visão estritamente pedagógica, mas deve contemplar também uma
dimensão político-ideológica.
REFERÊNCIAS:
COSTA, Maria Adélia da. Currículo Integrado: concepções,
perspectivas e experiências. Belo Horizonte:CEFET-MG.2011.
GAMELEIRA,
Emmanuel Felipe de Andrade; MOURA, Dante Henrique. Ensino Médio Integrado: notas críticas sobre os rumos da travessia
(2007-2016). IV Colóquio Nacional e I Colóquio Internacional – 24 a 27 de junho
de 2017. Campus Natal – Central. IFRN.
RAMOS,
Marise Nogueira. Concepção de Ensino
Médio Integrado. 2008.

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