quarta-feira, 13 de maio de 2020

A IMPLEMENTAÇÃO DO CURRÍCULO INTEGRADO



Mestrando: Belchior Ribeiro Leite
Disciplina Eletiva: Currículo e Formação Integrada T2020-1
Professor: Degmar dos Anjos

A IMPLEMENTAÇÃO DO CURRÍCULO INTEGRADO

            A proposta de currículo integrado é a que parece ser mais adequada para atender a necessidade de integrar ensino e trabalho, visando reduzir a fragmentação do conhecimento ofertado aos alunos. Logo, ao implementar o currículo integrado, as instituições de ensino têm enormes ganhos e benefícios, porém enfrentam complexidades, problemas e/ou críticas.
            Muito se discute sobre a implementação do currículo integrado. Ele contempla a compreensão global do conhecimento. Nesse sentido, é possível perceber as que vantagens, principalmente para os estudantes e professores são grandiosas. Costa (2011) garante que a integração curricular permite maior homogeneidade de ações entre os professores, enfraquece as regras de enquadramento, ou seja, possibilita relações mais democráticas entre alunos e professores, conferem maior iniciativa aos professores e aos alunos, promove maior integração dos saberes escolares com os saberes cotidianos dos alunos, bem como a integração entre conhecimentos gerais e conhecimentos específicos e teoria com a prática, combate uma visão hierárquica e dogmática do conhecimento, ou seja, a noção de que existem saberes que são sempre mais importantes do que outros.
            Além disso, essa prática possibilita a integração das dimensões fundamentais da vida: trabalho, ciência e cultura. A sociedade se torna mais inclusiva, a diversidade é reconhecida e valorizada, além dos direitos sociais serem assegurados. O sujeito é contemplado com uma formação humana cidadã, ampla, em todos os sentidos, omnilateral. O trabalho como realização humana e como princípio educativo. Nessa perspectiva, Ramos (2008) assevera que considerar o trabalho como princípio educativo é o mesmo que dizer que o homem é produtor de sua realidade, apropria dela, e pode transformá-la. Significa dizer, ainda, que somos sujeitos de nossa história e nossa realidade.
            Ainda convém lembrar, que a proposta de integração defendida, possibilita os indivíduos, após formados, compreenderem a realidade para além de sua aparência fenomênica. A realidade precisa ser entendida e interpretada na sua essência, compreenda o homem como ser histórico-social, a realidade concreta é uma totalidade, síntese de múltiplas relações.
            Outro fatores existentes sobre a implementação do currículo integrado são as complexidades que estão imersas. Entre elas, estão os ranços da dualidade educacional que coincidem com a história da luta de classes no capitalismo. Por esse motivo, a educação ainda continua, em alguns casos, dividida entre aquela destinada à classe proletária e aquela da classe burguesa. A classe trabalhadora recebe um conhecimento fragmentado, de menos qualidade, e a elite recebe um conhecimento mais refinado, de qualidade. Esse fator acaba sendo empecilho para práticas curriculares integradas. Portanto, a luta contra a dualidade educacional, é definida como uma luta contra hegemônica, ou seja, é necessário superar a dominação dos trabalhadores e formar todos como dirigentes. Essa luta requer a busca por uma concepção de escola unitária, que pressupõe que todos tenham acesso aos conhecimentos e à cultura, independente da classe social à qual pertença.
            Percebe-se também como desafio à implantação de currículos integrados, conforme Ramos (2008), o fato de professores de várias disciplinas do ensino médio serem formados sob o domínio do positivismo e do mecanicismo das ciências, que as fragmentam nos seus respectivos campos, hierarquizando-os, dispõem a classificar as disciplinas como de formação geral e de formação profissional.
            Dessa forma, a implementação do currículo integrado não está imune a críticas. Gameleira e Moura (2017) afirmam que em muitos casos a integração curricular é apenas uma justaposição / sobreposição de disciplinas, ao invés de uma verdadeira integração. Contudo, quando se trata de formação humana integral, é preciso ir além das aparências, como já mencionado anteriormente. Isso se denomina senso comum da integração, uma visão simplista e pobre da integração curricular, quando em contraste com a legislação pertinente. Logo, uma verdadeira integração curricular não pode se limitar a uma visão estritamente pedagógica, mas deve contemplar também uma dimensão político-ideológica.
REFERÊNCIAS:

COSTA, Maria Adélia da. Currículo Integrado: concepções, perspectivas e experiências. Belo Horizonte:CEFET-MG.2011.
GAMELEIRA, Emmanuel Felipe de Andrade; MOURA, Dante Henrique. Ensino Médio Integrado: notas críticas sobre os rumos da travessia (2007-2016). IV Colóquio Nacional e I Colóquio Internacional – 24 a 27 de junho de 2017. Campus Natal – Central. IFRN.
RAMOS, Marise Nogueira. Concepção de Ensino Médio Integrado. 2008.

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