segunda-feira, 4 de maio de 2020

PARECER SOBRE DOIS CURSOS TÉCNICOS DO IFB

INTERESSADO: Instituto Federal de Brasília (IFB)
ASSUNTO: O IFB encaminha consulta sobre a adaptação curricular do curso técnico integrado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
RELATORES:
Belchior Ribeiro Leite, Fernando Antônio de Alvarenga Grossi, Ursulina Ataíde Alves
DATA DE APROVAÇÃO: 16/04/2020


I – RELATÓRIO
1.     Histórico

Considerando as reflexões acerca dos textos: O que é currículo, no livro Currículo, Saberes e Incertezas de José Gimeno Sacristán, no qual se refere ao desenvolvimento de um currículo integrado e Práticas Educativas – Sequências Didáticas, no livro Prática Educativa - Como Ensinar de Antoni Zabala no que tange a uma prática de ensino com vistas a aprendizagem significativa, baseada na teoria construtivista;
Considerando o disposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDBEN 9394/96 em seu art. 35 define as finalidades do Ensino Médio.
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades:
I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III – o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV – a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. (LDBEN 9394/96, pág 24)
Considerando as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio e os Princípios Norteadores nelas elencados;
Considerando a BNCC – Base Nacional Comum Curricular e as Competências Gerais para a Educação Básica a serem consolidadas pelo estudante, num crescente ao longo da sua escolarização;
Considerando a especificidade dos Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio; e
Considerando os demais dispositivos legais que regem essa modalidade de ensino e orientam a elaboração dos seus Projetos Pedagógicos.
Foram analisados os PPCs - Projetos Pedagógicos dos Cursos Técnico em Informática integrado ao Ensino Médio e Técnico em Eventos Integrado ao Ensino Médio do IFB – Instituto Federal de Brasília / Campus Brasília, acerca dos quais teceremos considerações particulares e posteriores recomendações.
Observa-se que, em ambos os PPCs, discursivamente, os currículos foram organizados na perspectiva integrada, embora percebe-se que, principalmente o de Informática ainda trabalha com conteúdos de forma disciplinar e fragmentada; converge parcialmente com o construtivismo, o PPC do Curso Técnico em Eventos apresenta propostas mais construtivistas, como por exemplo turmas reduzidas em Oficinas de Práticas de Aprendizagem da Área Técnica - OPAS, Práticas Interdisciplinares de Ensino Médio - GruPIs e Projetos Integradores de Eventos - PIEVs e método de avaliação mais diferenciado.
No PPC do Curso Técnico em Informática, as disciplinas do ementário não dialogam entre si, uma vez que os objetivos de ensino estão separados por disciplina. Já no PPC do Curso Técnico em Eventos, os objetivos são organizados por áreas do conhecimento, facilitando a integração, como na área de Humanidades, os objetivos apresentam uma conexão com as áreas de conhecimento que a compõe, o que facilita o diálogo.
Na metodologia de ambos os PPCs não fica explícita a relação da teoria com a prática, apesar de haver indícios dessa relação através das práticas interdisciplinares propostas: seminários, oficinas, visitas técnicas, desenvolvimento de projetos de pesquisa e aulas em laboratórios, orientados pelo trabalho coletivo entre professores e estudantes.
Os dois PPCs utilizam a avaliação formativa com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, devendo orientar o aprendizado, mas no final o que prevalece é a nota, no qual os alunos devem obter 60% para ser aprovado.
 Portanto, o PPC de Eventos possui mais elementos de integração do que o PPC de Informática.

O Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio:

No projeto ora apresentado observa-se, em sua estrutura, as orientações para elaboração do PPC constantes da Resolução 06/2012 da CEB/CNE, que define as diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Ao estabelecer o Perfil Profissional para o seu egresso o PPC guarda coerência também com o Catálogo Nacional de Cursos tendo sido observadas a realidade e as necessidades do  APL - Arranjo Produtivo Local em seu contexto de atuação, fazendo adequações necessárias. No que se refere a BNCC - Base Nacional Comum Curricular, embora não seja citada textualmente, o PPC apresenta alguma coerência com as competências gerais da Educação Básica. A pouca relação com a BNCC se deve, talvez, pelo fato do projeto ser anterior a sua publicação.
Textualmente o projeto se mostra favorável a um ensino contextualizado e interdisciplinar, com vista à construção de conhecimentos significativos, indicadores de um currículo com perspectiva crítica e integrada. No entanto, ao expor seu plano curricular, apresenta uma carga horária muito extensa, com um número de aulas semanais extenuante e um elevado número de disciplinas distribuídas numa estrutura deveras fragmentada, em que a comunicação entre as disciplinas é quase nula. 
Entre as disciplinas o que se tem mais evidente da tentativa em integrar conhecimentos é a ocorrência de conteúdos de linguagem próprios da área técnica de informática na ementa da disciplina de Língua Inglesa, nos três anos do curso. Como alternativa a essa fragmentação, o PPC apresenta o Projeto Integrador, mas este se encerra em mais um componente curricular não ficando claro no PPC o seu potencial integrador. O que fere o princípio da integração. 
No texto que trata das Orientações Metodológicas, as principais propostas apresentadas para a integração, a contextualização do conhecimento e o estabelecimento da relação teoria e prática pelos alunos se referem a aulas prática, visitas técnicas, participação em seminários e oficinas com orientação dos professores. Cita também o planejamento coletivo pelos professores para viabilizar as práticas interdisciplinares mas não esclarece como ocorrerá essa operacionalização. Também são tratados neste tópico procedimentos didático-pedagógicos que auxiliarão a construção do conhecimento, assim como no anterior, o texto é incipiente para que se compreenda como se darão tais práticas.
No que se refere à avaliação, da mesma forma que com o currículo, percebe-se certa incoerência. Fala-se em uma avaliação diagnóstica, formativa e processual, mas ao final seu registro é feito por notas e com efeito classificatório e até punitivo, uma vez que ainda existe a figura da reprovação. Mesmo citando instrumentos de avaliação bastante significativos, o texto do PPC não contempla a análise qualitativa do desempenho do aluno, não cumprindo com o caráter formativo e processual da avaliação.

O Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Eventos Integrado ao Ensino Médio:

No projeto ora apresentado, observam-se,  em sua estrutura, as orientações para elaboração do PPC, constantes da Resolução 06/2012 da CEB/CNE, que define as diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Ao estabelecer o Perfil Profissional para o seu egresso, o PPC guarda coerência também com o Catálogo Nacional de Cursos tendo observado a realidade e necessidades do  APL - Arranjo Produtivo Local em seu contexto de atuação, fazendo adequações para atendê-lo. No que se refere a BNCC - Base Nacional Comum Curricular, esta não é citada textualmente, porém o PPC apresenta alguma coerência com as competências gerais da educação básica.
O projeto foi elaborado na perspectiva de um ensino contextualizado e interdisciplinar, com vista à construção de conhecimentos significativos, ao protagonismo dos alunos e à organização curricular por áreas de conhecimento, rompendo com a perspectiva disciplinar, caracterizando-se como uma proposta curricular crítica e integrada. Sua proposta tanto é integradora em sua visão sobre o conhecimento e a aprendizagem significativa quanto é integradora das áreas propedêutica e técnico profissional. Tais características certamente contribuirão para o desenvolvimento da omnilateralidade.
Na estrutura curricular proposta, o PPC rompe com a disciplinarização, ao ser organizado por áreas de conhecimento e parcialmente com a estrutura seriada,  ao propor grupos diferenciados para a prática de atividades interáreas, oficinas de formação prática e projetos - as: Práticas Interdisciplinares de Ensino Médio - GruPIs; Oficinas de Práticas de Aprendizagem da Área Técnica de Eventos - OPAs e Projetos Integrados de Eventos - PIEVs. Estes aspectos se revelam bastante inovadores, coerentes com uma concepção crítica de currículo, bastante atenta às demandas de formação de sujeitos com habilidade, capacidades de iniciativa, adaptação e rapidez na proposição de soluções, características necessárias no cenário profissional do mundo atual.
Com relação aos objetivos de aprendizagem dentro das áreas de conhecimento, observa-se a necessidade de melhorar a integração dos conhecimentos, ao serem listados seus objetivos de aprendizagem, com exceção da área de Humanidades ainda é perceptível a separação, característica mais forte em Matemática e Ciências da Natureza.
Como ponto forte, o projeto apresenta as OPAs e os PIEVs: principal estratégia da formação profissional. A proposta é toda integrada e pautada na aprendizagem significativa e no protagonismo do aluno. A percepção que se tem é de que as OPAs e os PIEVs formarão o técnico em eventos em sua totalidade, possibilitando o desenvolvimento de habilidades e competências para que se atue em qualquer etapa de um evento e em diversificados tipos de eventos, por se mostrarem altamente construtivistas em sua concepção. É importante ressaltar que o PPC apresenta toda a justificativa e embasamento legal para o modelo curricular que propõe.
No que se refere à Organização Pedagógica cita diversas estratégias para efetivar a integração e viabilizar a transdisciplinaridade, deixa claro que o caminho metodológico são os projetos, através dos quais se definirão os conteúdos e técnicas de aprendizagem a serem adotados em cada etapa do curso. Ainda neste item aborda uma possibilidade interessante para o aluno, a de cursar componentes curriculares optativos, o que pode ser viável ao aluno considerando que o curso tem uma carga horária baixa e flexibilidade para escolha pelos alunos do que irão cursar em cada etapa do curso.
Com relação ao processo avaliativo, o PPC apresenta proposta bastante abrangente, coerente com a perspectiva transdisciplinar, construtivista e integradora. Apresenta critérios claros para o processo contínuo da avaliação do aluno, a participação e orientação a todos os sujeitos do processo. No entanto encontra limitações a essas inovações no regulamento da instituição, tendo algumas restrições quanto aos instrumentos avaliativos, ao número de instrumentos e a obrigatoriedade de registro por meio de notas, conferindo a todo o processo um caráter classificatório, somativo e porque não dizer, punitivo, visto que limita a dois os instrumentos avaliativos e permite que apenas um destes possa contemplar até 70% da nota.  

2.                A Base Nacional Comum Curricular

A Base Nacional Comum Curricular foi elaborada num grande esforço coletivo, com vistas ao estabelecimento do que está sendo chamado de direitos de aprendizagem. Estes direitos constituem o que normalmentes se identifica como objetivos de ensino. Com relação aos direitos têm caráter prescritivo, devendo estes serem garantidos a todo e qualquer estudante da educação básica em todo o território nacional, respeitando ainda as características culturais, sociais, étnicas, religiosas e toda forma de diversidade.
A BNCC configura-se ainda como um esforço de atendimento aos dispositivos legais previstos na Constituição Federal em no Artigo 210, estabelece a necessidade de que sejam “fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais” (BRASIL, 1988). Necessidade reforçada no artigo 9º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN 9394/96, no qual determina que cabe à União, em colaboração com Estados e Municípios estabelecer as “competências e diretrizes para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum.”
A BNCC,  no que se refere ao seu poder de interferência aos currículos prescritos, traz na sua essência a intenção unificadora e uniformizadora ao evitar que a escolha do que será ensinado em cada situação se dê forma aleatória. Tem portanto, o intuito de orientar, modelar e limitar a autonomia dos professores na seleção de conteúdos. Nessa perspectiva, é um documento que define os conhecimentos essenciais que todos os alunos da Educação Básica, em todo o território nacional têm o direito de aprender. Ela serve como referência comum para todos os sistemas de ensino e contribui para promover a equidade educacional em todo o país.
Desta maneira torna-se obrigatório que todo projeto formal de educação atenda as competências gerais estabelecidas pela BNCC. Observando que o desenvolvimentos destas se dará num continuum ao longo de toda a escolarização não cabendo uma divisão do que será desenvolvido a cada etapa, série ou curso. Todas dizem respeito a formação geral de conceitos, valores e atitudes numa perspectiva coerente com a omnilateralidade.
Importante entender que na BNCC a compreensão do que seja competência não se limita às prática, técnicas ou profissionais. É muito mais ampla, podendo ser exercida em toda e qualquer situação da vida, abrangendo habilidades técnicas, cognitivas emocionais, importando que a pessoa seja capaz de mobilizar conhecimentos, experiências, habilidades em sua vida prática, para resolver situações, conflitos, problemas.
Dito isto seguem as Competências Gerais a serem desenvolvidas nas experiências educativas nas escolas do país. Reforçando que estas são direitos de aprendizagem, portanto, obrigatórias.
COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. (pág.09)
As aprendizagens essenciais definidas pela BNCC visam assegurar o desenvolvimento das dez competências gerais, que se consubstanciam, no âmbito pedagógico, nos direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Sendo assim, as competências gerais interrelacionam-se e desdobram-se no tratamento didático proposto para as três etapas da Educação Básica, articulando-se na construção de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e na formação de atitudes e valores.
Considerando que os PPCs analisados são de cursos técnicos integrados ao ensino médio, observou-se que é preciso ampliar a leitura e exposição de objetivos no que tange à formação geral do aluno. Percebe-se que esta tem ficado em segundo plano quando nos detemos na leitura dos objetivos gerais de ambos os cursos. Fala-se muito no perfil profissional a ser alcançado e pouco nas características do homem no seu sentido ontológico, social, cultural e político.
Assim, a BNCC propõe a superação da fragmentação radicalmente disciplinar do conhecimento, o estímulo à sua aplicação na vida real, a importância do contexto para dar sentido ao que se aprende e o protagonismo do estudante em sua aprendizagem e na construção de seu projeto de vida. (PÁG.15)
Para a superação da fragmentação, assim como documentos de orientação curricular anteriores, a BNCC propõe a organização por áreas, na tentativa que os conhecimentos das diversas ciências dialoguem entre si, fortalecendo as relações entre elas e a capacidade dos sujeitos em formação para intervirem na realidade de modo cooperativo.

I – ENCAMINHAMENTO DOS RELATORES
Após leitura e considerações individuais acerca dos PPCs apresentados, seguem recomendações a instituição para suas revisões e atualizações.
  • Ambos os projetos necessitam ampliar seus objetivos voltados à formação geral dos educandos. Sendo obrigatórias as Competências Gerais da BNCC devem estar explícitas nos projetos de curso. Chamamos a atenção que na modalidade de curso integrado busca-se a superação da divisão entre formação geral e formação para o trabalho, por isso a tarefa da integração curricular, abrange também a integração entre a formação geral e profissional. Neste sentido recomenda-se o estudo das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, da Base Nacional Comum Curricular - BNCC e Diretrizes Curriculares para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Esses documentos contribuirão para a compreensão do trabalho como princípio educativo e da pesquisa como princípio pedagógico.
  • Complementarmente a anterior e considerando as contradições conceituais e práticas encontradas nos documentos apresentados, sugere-se a realização de estudos sobre currículo e avaliação com vistas à ressignificação das estratégias metodológicas e dos instrumentos e registros do processo avaliativo.
  • Considerando que o PPC do Curso Técnico em Eventos apresenta proposta mais avançada de integração curricular em relação ao PPC do Curso Técnico em Informática, sugere-se a promoção de encontros entre o corpo docente dos cursos para a troca de experiências de modo a se pensar coletivamente nas possibilidades de adaptações, mudanças e melhorias sempre. 
  • Sobre o componente curricular Projeto Integrador, do curso de Informática, apresenta-se uma proposta na qual os alunos no 1º ano refletirão sobre problemas reais do seu contexto, no 2º ano farão a identificação desses problemas e no 3º ano irão propor soluções. Através da leitura de Zabala, sobre as sequências didáticas, percebemos que a reflexão, identificação e proposição de soluções para problemas podem e devem serem tratadas num crescente dentro de uma mesma sequência de atividades. Não há justificativas para essa separação por série. Entende-se que ao longo do curso o que se pode crescer é a complexidade dos problemas aos quais se buscará soluções. Entende-se ainda que o Projeto Integrador, no PPC de Informática tem papel importante na formação de atitudes e valores de maneira intencional e sistemática. Do ponto de vista operacional o texto é confuso quando trata dos professores orientadores e dos horários nos quais acontecerá as orientações.
  • Quanto aos processos avaliativos há que se encontrar uma maneira de diminuir o peso da “nota” como fator definitivo para a aprovação, especialmente para a proposta do Curso Técnico em Eventos que se caracteriza pela integração e metodologias mais construtivistas. Em ambos os casos, faz-se necessário explicitar detalhes operacionais do processo de avaliação. No PPC do curso de Informática diz que o curso é seriado e que são dois semestres mas não deixa claro se o período avaliativo será semestral. Sobre as recuperações paralelas diz que serão feitas ao longo do processo, porém as estratégias e a forma como isso acontecerá não ficam claras - será a cada instrumento avaliativo aplicado e corrigido? aplicação de novas estratégias de ensino? Em turma ou em grupos separados? serão oferecidos novos instrumentos de avaliação? a nota do aluno será revista? Estas são apenas algumas das informações que devem estar explícitas no PPC. Ainda tratando da avaliação no texto principal sobre os critérios de avaliação não deixa claro as condições para aprovação, essa informação só aparece no item que trata dos procedimentos de recuperação. O PPC do curso de Eventos, traz uma proposta diferenciada de avaliação, ao propor um instrumento que avalia mais de uma área do conhecimento, na parte não seriada incluir a avaliação atitudinal, a qual sugere-se a inclusão da participação do aluno, dando espaço para a autoavaliação (oportunidade de desenvolvimento de valores e atitudes - conteúdos no processo global de formação da pessoa). A avaliação dos projetos por uma banca é outra característica importante. Sobre isso sugere-se que além de uma nota seja oferecido aos alunos um parecer, nota técnica ou outra forma de feedback que torne possível a reflexão sobre o processo desenvolvido com seus pontos fortes e pontos de melhoria. Outra sugestão ao processo avaliativo é que não se faça restrições ao número de avaliações ao longo do bimestre, por considerarmos que dois instrumentos apenas, e com valor de nota tão altos, contrariem os fundamentos de avaliação processual e formativa. As questões levantadas sobre o processo de recuperação paralela, para o PPC do curso de Informática, valem também para o de Eventos. 
  • Em ambos os PPCs é necessário maior atenção a tipologia de conteúdos, ou seja, trabalhar conteúdos factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais e na relação entre eles. Por isso, observa-se a necessidade de realizar um trabalho pedagógico para além da interdisciplinaridade, para que os estudantes sejam formados integralmente. Sejam preparados para o mundo do trabalho e recebam uma formação humana, omnilateral, que sejam consideradas as dimensões da cultura, ciência, trabalho e tecnologia.
  •  É necessário valorizar também o currículo oculto e conteúdos atitudinais, ou seja, fornecer meios para que o discente se posicione em relação à sua cultura e à sociedade e o professor precisa ter consciência das teorias, valores e crenças que embasam a organização curricular da escola. Nesse sentido, deve levar-se em consideração os problemas sociais vivenciados pelos alunos em suas comunidades, através de uma organização curricular mais flexível, uma vez que o próprio currículo deve promover a formação integral, para a vida humana; não somente em favor do capital e do trabalho.
  • Tendo em vista que para ambos os cursos, o Estágio Curricular Supervisionado não é obrigatório os PPCs precisam contemplar de modo mais sistemático a vivência de práticas profissionais pelos alunos. Nesse sentido, sugere-se atividades de extensão que proporcione a imersão dos alunos em ambientes de trabalho, de modo mais sistemático que, por exemplo, visitas técnicas. A intenção é que os alunos possam vivenciar minimamente o cotidiano dos espaços de atuação.

Brasília, 16 de abril de 2020

Relatores:
Belchior Ribeiro Leite ___________________________________________________
Fernando Antônio de Alvarenga Grossi ______________________________________
Ursulina Ataíde Alves ____________________________________________________

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério de Educação. LDB - Lei no 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília : MEC, 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm> Acesso em abril de 2020
Brasil. Ministério da Educação . Base Nacional Curricular Comum. Brasília: MEC. 2017. Disponível em:http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ . Acesso em: abril de 2020..
SACRISTÁN, José Gimeno. O que significa o currículo. In: SACRISTÁN, J. G. (Org.). Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013. p. 9-14.
ZABALA, Antoni - A PRÁTICA EDUCATIVA: COMO ENSINAR. Porto Alegre, Artmed,1998.


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