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INTERESSADO: Instituto Federal de Brasília (IFB)
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ASSUNTO: O IFB encaminha consulta sobre a adaptação curricular do curso técnico
integrado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
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RELATORES:
Belchior Ribeiro Leite, Fernando Antônio de Alvarenga Grossi, Ursulina
Ataíde Alves
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DATA DE APROVAÇÃO: 16/04/2020
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I – RELATÓRIO
1. Histórico
Considerando as reflexões acerca dos textos: O que é currículo, no livro
Currículo, Saberes e Incertezas de José Gimeno Sacristán, no qual se refere ao
desenvolvimento de um currículo integrado e Práticas Educativas – Sequências
Didáticas, no livro Prática Educativa - Como Ensinar de Antoni Zabala no que
tange a uma prática de ensino com vistas a aprendizagem significativa, baseada
na teoria construtivista;
Considerando o disposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, LDBEN 9394/96 em seu art. 35 define as finalidades do Ensino Médio.
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração
mínima de três anos, terá como finalidades:
I – a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no
ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos;
II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para
continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a
novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III – o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a
formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV – a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos
produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
(LDBEN 9394/96, pág 24)
Considerando as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Profissional Técnica de Nível Médio e os Princípios Norteadores nelas
elencados;
Considerando a BNCC – Base Nacional Comum Curricular e as Competências
Gerais para a Educação Básica a serem consolidadas pelo estudante, num
crescente ao longo da sua escolarização;
Considerando a especificidade dos Cursos Técnicos Integrados ao Ensino
Médio; e
Considerando os demais dispositivos legais que regem essa modalidade de
ensino e orientam a elaboração dos seus Projetos Pedagógicos.
Foram analisados os PPCs - Projetos Pedagógicos dos Cursos Técnico em
Informática integrado ao Ensino Médio e Técnico em Eventos Integrado ao Ensino
Médio do IFB – Instituto Federal de Brasília / Campus Brasília, acerca
dos quais teceremos considerações particulares e posteriores recomendações.
Observa-se que, em ambos os PPCs, discursivamente, os currículos foram
organizados na perspectiva integrada, embora percebe-se que, principalmente o
de Informática ainda trabalha com conteúdos de forma disciplinar e fragmentada;
converge parcialmente com o construtivismo, o PPC do Curso Técnico em Eventos
apresenta propostas mais construtivistas, como por exemplo turmas reduzidas em
Oficinas de Práticas de Aprendizagem da Área Técnica - OPAS, Práticas
Interdisciplinares de Ensino Médio - GruPIs e Projetos Integradores de Eventos
- PIEVs e método de avaliação mais diferenciado.
No PPC do Curso Técnico em Informática, as disciplinas do ementário não
dialogam entre si, uma vez que os objetivos de ensino estão separados por
disciplina. Já no PPC do Curso Técnico em Eventos, os objetivos são organizados
por áreas do conhecimento, facilitando a integração, como na área de
Humanidades, os objetivos apresentam uma conexão com as áreas de conhecimento
que a compõe, o que facilita o diálogo.
Na metodologia de ambos os PPCs não fica explícita a relação da teoria
com a prática, apesar de haver indícios dessa relação através das práticas
interdisciplinares propostas: seminários, oficinas, visitas técnicas,
desenvolvimento de projetos de pesquisa e aulas em laboratórios, orientados
pelo trabalho coletivo entre professores e estudantes.
Os dois PPCs utilizam a avaliação formativa com prevalência dos aspectos
qualitativos sobre os quantitativos, devendo orientar o aprendizado, mas no
final o que prevalece é a nota, no qual os alunos devem obter 60% para ser
aprovado.
Portanto, o PPC de Eventos possui mais elementos de integração do
que o PPC de Informática.
O Projeto Pedagógico
do Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio:
No projeto ora apresentado observa-se, em sua estrutura, as orientações
para elaboração do PPC constantes da Resolução 06/2012 da CEB/CNE, que define
as diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de
Nível Médio. Ao estabelecer o Perfil Profissional para o seu egresso o PPC
guarda coerência também com o Catálogo Nacional de Cursos tendo sido observadas
a realidade e as necessidades do APL - Arranjo Produtivo Local em seu
contexto de atuação, fazendo adequações necessárias. No que se refere a BNCC -
Base Nacional Comum Curricular, embora não seja citada textualmente, o PPC
apresenta alguma coerência com as competências gerais da Educação Básica. A
pouca relação com a BNCC se deve, talvez, pelo fato do projeto ser anterior a
sua publicação.
Textualmente o projeto se mostra favorável a um ensino contextualizado e
interdisciplinar, com vista à construção de conhecimentos significativos,
indicadores de um currículo com perspectiva crítica e integrada. No entanto, ao
expor seu plano curricular, apresenta uma carga horária muito extensa, com um
número de aulas semanais extenuante e um elevado número de disciplinas
distribuídas numa estrutura deveras fragmentada, em que a comunicação entre as
disciplinas é quase nula.
Entre as disciplinas o que se tem mais evidente da tentativa em integrar
conhecimentos é a ocorrência de conteúdos de linguagem próprios da área técnica
de informática na ementa da disciplina de Língua Inglesa, nos três anos do
curso. Como alternativa a essa fragmentação, o PPC apresenta o Projeto
Integrador, mas este se encerra em mais um componente curricular não ficando
claro no PPC o seu potencial integrador. O que fere o princípio da
integração.
No texto que trata das Orientações Metodológicas, as principais
propostas apresentadas para a integração, a contextualização do conhecimento e
o estabelecimento da relação teoria e prática pelos alunos se referem a aulas
prática, visitas técnicas, participação em seminários e oficinas com orientação
dos professores. Cita também o planejamento coletivo pelos professores para
viabilizar as práticas interdisciplinares mas não esclarece como ocorrerá essa
operacionalização. Também são tratados neste tópico procedimentos
didático-pedagógicos que auxiliarão a construção do conhecimento, assim como no
anterior, o texto é incipiente para que se compreenda como se darão tais
práticas.
No que se refere à avaliação, da mesma forma que com o currículo,
percebe-se certa incoerência. Fala-se em uma avaliação diagnóstica, formativa e
processual, mas ao final seu registro é feito por notas e com efeito
classificatório e até punitivo, uma vez que ainda existe a figura da
reprovação. Mesmo citando instrumentos de avaliação bastante significativos, o
texto do PPC não contempla a análise qualitativa do desempenho do aluno, não
cumprindo com o caráter formativo e processual da avaliação.
O Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Eventos Integrado ao Ensino Médio:
No projeto ora apresentado, observam-se, em sua estrutura, as
orientações para elaboração do PPC, constantes da Resolução 06/2012 da CEB/CNE,
que define as diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional
Técnica de Nível Médio. Ao estabelecer o Perfil Profissional para o seu
egresso, o PPC guarda coerência também com o Catálogo Nacional de Cursos tendo
observado a realidade e necessidades do APL - Arranjo Produtivo Local em
seu contexto de atuação, fazendo adequações para atendê-lo. No que se refere a
BNCC - Base Nacional Comum Curricular, esta não é citada textualmente, porém o
PPC apresenta alguma coerência com as competências gerais da educação básica.
O projeto foi elaborado na perspectiva de um ensino contextualizado e
interdisciplinar, com vista à construção de conhecimentos significativos, ao
protagonismo dos alunos e à organização curricular por áreas de conhecimento,
rompendo com a perspectiva disciplinar, caracterizando-se como uma proposta
curricular crítica e integrada. Sua proposta tanto é integradora em sua visão
sobre o conhecimento e a aprendizagem significativa quanto é integradora das
áreas propedêutica e técnico profissional. Tais características certamente
contribuirão para o desenvolvimento da omnilateralidade.
Na estrutura curricular proposta, o PPC rompe com a disciplinarização,
ao ser organizado por áreas de conhecimento e parcialmente com a estrutura
seriada, ao propor grupos diferenciados para a prática de atividades
interáreas, oficinas de formação prática e projetos - as: Práticas
Interdisciplinares de Ensino Médio - GruPIs; Oficinas de Práticas de
Aprendizagem da Área Técnica de Eventos - OPAs e Projetos Integrados de Eventos
- PIEVs. Estes aspectos se revelam bastante inovadores, coerentes com uma
concepção crítica de currículo, bastante atenta às demandas de formação de
sujeitos com habilidade, capacidades de iniciativa, adaptação e rapidez na
proposição de soluções, características necessárias no cenário profissional do
mundo atual.
Com relação aos objetivos de aprendizagem dentro das áreas de
conhecimento, observa-se a necessidade de melhorar a integração dos
conhecimentos, ao serem listados seus objetivos de aprendizagem, com exceção da
área de Humanidades ainda é perceptível a separação, característica mais forte
em Matemática e Ciências da Natureza.
Como ponto forte, o projeto apresenta as OPAs e os PIEVs: principal
estratégia da formação profissional. A proposta é toda integrada e pautada na
aprendizagem significativa e no protagonismo do aluno. A percepção que se tem é
de que as OPAs e os PIEVs formarão o técnico em eventos em sua totalidade,
possibilitando o desenvolvimento de habilidades e competências para que se atue
em qualquer etapa de um evento e em diversificados tipos de eventos, por se
mostrarem altamente construtivistas em sua concepção. É importante ressaltar
que o PPC apresenta toda a justificativa e embasamento legal para o modelo
curricular que propõe.
No que se refere à Organização Pedagógica cita diversas estratégias para
efetivar a integração e viabilizar a transdisciplinaridade, deixa claro que o
caminho metodológico são os projetos, através dos quais se definirão os
conteúdos e técnicas de aprendizagem a serem adotados em cada etapa do curso.
Ainda neste item aborda uma possibilidade interessante para o aluno, a de
cursar componentes curriculares optativos, o que pode ser viável ao aluno
considerando que o curso tem uma carga horária baixa e flexibilidade para
escolha pelos alunos do que irão cursar em cada etapa do curso.
Com relação ao processo avaliativo, o PPC apresenta proposta bastante
abrangente, coerente com a perspectiva transdisciplinar, construtivista e
integradora. Apresenta critérios claros para o processo contínuo da avaliação
do aluno, a participação e orientação a todos os sujeitos do processo. No
entanto encontra limitações a essas inovações no regulamento da instituição,
tendo algumas restrições quanto aos instrumentos avaliativos, ao número de
instrumentos e a obrigatoriedade de registro por meio de notas, conferindo a
todo o processo um caráter classificatório, somativo e porque não dizer,
punitivo, visto que limita a dois os instrumentos avaliativos e permite que
apenas um destes possa contemplar até 70% da nota.
2.
A Base Nacional Comum Curricular
A Base Nacional Comum Curricular foi elaborada num grande esforço
coletivo, com vistas ao estabelecimento do que está sendo chamado de direitos
de aprendizagem. Estes direitos constituem o que normalmentes se identifica
como objetivos de ensino. Com relação aos direitos têm caráter prescritivo,
devendo estes serem garantidos a todo e qualquer estudante da educação básica
em todo o território nacional, respeitando ainda as características culturais,
sociais, étnicas, religiosas e toda forma de diversidade.
A BNCC configura-se ainda como um esforço de atendimento aos
dispositivos legais previstos na Constituição Federal em no Artigo 210,
estabelece a necessidade de que sejam “fixados conteúdos mínimos para o ensino
fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos
valores culturais e artísticos, nacionais e regionais” (BRASIL, 1988).
Necessidade reforçada no artigo 9º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional - LDBEN 9394/96, no qual determina que cabe à União, em colaboração com
Estados e Municípios estabelecer as “competências e diretrizes para a Educação
Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, que nortearão os currículos e
seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum.”
A BNCC, no que se refere ao seu poder de interferência aos
currículos prescritos, traz na sua essência a intenção unificadora e
uniformizadora ao evitar que a escolha do que será ensinado em cada situação se
dê forma aleatória. Tem portanto, o intuito de orientar, modelar e limitar a
autonomia dos professores na seleção de conteúdos. Nessa perspectiva, é um
documento que define os conhecimentos essenciais que todos os alunos da
Educação Básica, em todo o território nacional têm o direito de aprender. Ela
serve como referência comum para todos os sistemas de ensino e contribui para
promover a equidade educacional em todo o país.
Desta maneira torna-se obrigatório que todo projeto formal de educação
atenda as competências gerais estabelecidas pela BNCC. Observando que o
desenvolvimentos destas se dará num continuum ao longo de toda a escolarização
não cabendo uma divisão do que será desenvolvido a cada etapa, série ou curso.
Todas dizem respeito a formação geral de conceitos, valores e atitudes numa
perspectiva coerente com a omnilateralidade.
Importante entender que na BNCC a compreensão do que seja competência
não se limita às prática, técnicas ou profissionais. É muito mais ampla,
podendo ser exercida em toda e qualquer situação da vida, abrangendo
habilidades técnicas, cognitivas emocionais, importando que a pessoa seja capaz
de mobilizar conhecimentos, experiências, habilidades em sua vida prática, para
resolver situações, conflitos, problemas.
Dito isto seguem as Competências Gerais a serem desenvolvidas nas
experiências educativas nas escolas do país. Reforçando que estas são direitos
de aprendizagem, portanto, obrigatórias.
COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA
1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos
sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a
realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade
justa, democrática e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria
das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a
imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar
hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive
tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais,
das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da
produção artístico-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como
Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como
conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se
expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em
diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e
comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas
práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e
disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer
protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e
apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as
relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício
da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência
crítica e responsabilidade.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional,
compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos
outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a
cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos
direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e
de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem
preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade,
flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em
princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
(pág.09)
As aprendizagens essenciais definidas pela BNCC visam assegurar o
desenvolvimento das dez competências gerais, que se consubstanciam, no âmbito
pedagógico, nos direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Sendo assim, as
competências gerais interrelacionam-se e desdobram-se no tratamento didático
proposto para as três etapas da Educação Básica, articulando-se na construção
de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e na formação de atitudes e
valores.
Considerando que os PPCs analisados são de cursos técnicos integrados ao
ensino médio, observou-se que é preciso ampliar a leitura e exposição de
objetivos no que tange à formação geral do aluno. Percebe-se que esta tem
ficado em segundo plano quando nos detemos na leitura dos objetivos gerais de
ambos os cursos. Fala-se muito no perfil profissional a ser alcançado e pouco
nas características do homem no seu sentido ontológico, social, cultural e
político.
Assim, a BNCC propõe a superação da fragmentação radicalmente
disciplinar do conhecimento, o estímulo à sua aplicação na vida real, a
importância do contexto para dar sentido ao que se aprende e o protagonismo do
estudante em sua aprendizagem e na construção de seu projeto de vida. (PÁG.15)
Para a superação da fragmentação, assim como documentos de orientação
curricular anteriores, a BNCC propõe a organização por áreas, na tentativa que
os conhecimentos das diversas ciências dialoguem entre si, fortalecendo as
relações entre elas e a capacidade dos sujeitos em formação para intervirem na
realidade de modo cooperativo.
I – ENCAMINHAMENTO DOS RELATORES
Após leitura e considerações individuais acerca dos PPCs apresentados,
seguem recomendações a instituição para suas revisões e atualizações.
- Ambos os projetos necessitam ampliar seus
objetivos voltados à formação geral dos educandos. Sendo obrigatórias as
Competências Gerais da BNCC devem estar explícitas nos projetos de curso.
Chamamos a atenção que na modalidade de curso integrado busca-se a
superação da divisão entre formação geral e formação para o trabalho, por
isso a tarefa da integração curricular, abrange também a integração entre
a formação geral e profissional. Neste sentido recomenda-se o estudo das
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, da Base Nacional
Comum Curricular - BNCC e Diretrizes Curriculares para a Educação
Profissional Técnica de Nível Médio. Esses documentos contribuirão para a
compreensão do trabalho como princípio educativo e da pesquisa como
princípio pedagógico.
- Complementarmente a anterior e considerando as
contradições conceituais e práticas encontradas nos documentos
apresentados, sugere-se a realização de estudos sobre currículo e
avaliação com vistas à ressignificação das estratégias metodológicas e dos
instrumentos e registros do processo avaliativo.
- Considerando que o PPC do Curso Técnico em
Eventos apresenta proposta mais avançada de integração curricular em
relação ao PPC do Curso Técnico em Informática, sugere-se a promoção de
encontros entre o corpo docente dos cursos para a troca de experiências de
modo a se pensar coletivamente nas possibilidades de adaptações, mudanças
e melhorias sempre.
- Sobre o componente curricular Projeto
Integrador, do curso de Informática, apresenta-se uma proposta na qual os
alunos no 1º ano refletirão sobre problemas reais do seu contexto, no 2º
ano farão a identificação desses problemas e no 3º ano irão propor
soluções. Através da leitura de Zabala, sobre as sequências didáticas,
percebemos que a reflexão, identificação e proposição de soluções para
problemas podem e devem serem tratadas num crescente dentro de uma mesma
sequência de atividades. Não há justificativas para essa separação por
série. Entende-se que ao longo do curso o que se pode crescer é a
complexidade dos problemas aos quais se buscará soluções. Entende-se ainda
que o Projeto Integrador, no PPC de Informática tem papel importante na
formação de atitudes e valores de maneira intencional e sistemática. Do
ponto de vista operacional o texto é confuso quando trata dos professores
orientadores e dos horários nos quais acontecerá as orientações.
- Quanto aos processos avaliativos há que se
encontrar uma maneira de diminuir o peso da “nota” como fator definitivo
para a aprovação, especialmente para a proposta do Curso Técnico em
Eventos que se caracteriza pela integração e metodologias mais
construtivistas. Em ambos os casos, faz-se necessário explicitar detalhes
operacionais do processo de avaliação. No PPC do curso de Informática diz
que o curso é seriado e que são dois semestres mas não deixa claro se o
período avaliativo será semestral. Sobre as recuperações paralelas diz que
serão feitas ao longo do processo, porém as estratégias e a forma como
isso acontecerá não ficam claras - será a cada instrumento avaliativo
aplicado e corrigido? aplicação de novas estratégias de ensino? Em turma
ou em grupos separados? serão oferecidos novos instrumentos de avaliação?
a nota do aluno será revista? Estas são apenas algumas das informações que
devem estar explícitas no PPC. Ainda tratando da avaliação no texto
principal sobre os critérios de avaliação não deixa claro as condições
para aprovação, essa informação só aparece no item que trata dos procedimentos
de recuperação. O PPC do curso de Eventos, traz uma proposta diferenciada
de avaliação, ao propor um instrumento que avalia mais de uma área do
conhecimento, na parte não seriada incluir a avaliação atitudinal, a qual
sugere-se a inclusão da participação do aluno, dando espaço para a
autoavaliação (oportunidade de desenvolvimento de valores e atitudes -
conteúdos no processo global de formação da pessoa). A avaliação dos
projetos por uma banca é outra característica importante. Sobre isso
sugere-se que além de uma nota seja oferecido aos alunos um parecer, nota
técnica ou outra forma de feedback que torne possível a reflexão sobre o
processo desenvolvido com seus pontos fortes e pontos de melhoria. Outra
sugestão ao processo avaliativo é que não se faça restrições ao número de
avaliações ao longo do bimestre, por considerarmos que dois instrumentos
apenas, e com valor de nota tão altos, contrariem os fundamentos de
avaliação processual e formativa. As questões levantadas sobre o processo
de recuperação paralela, para o PPC do curso de Informática, valem também
para o de Eventos.
- Em ambos os PPCs é
necessário maior atenção a tipologia de conteúdos, ou seja, trabalhar
conteúdos factuais, conceituais, procedimentais e atitudinais e na relação
entre eles. Por isso, observa-se a necessidade de realizar um trabalho
pedagógico para além da interdisciplinaridade, para que os estudantes
sejam formados integralmente. Sejam preparados para o mundo do trabalho e
recebam uma formação humana, omnilateral, que sejam consideradas as
dimensões da cultura, ciência, trabalho e tecnologia.
- É necessário valorizar
também o currículo oculto e conteúdos atitudinais, ou seja, fornecer meios
para que o discente se posicione em relação à sua cultura e à sociedade e
o professor precisa ter consciência das teorias, valores e crenças que
embasam a organização curricular da escola. Nesse sentido, deve levar-se
em consideração os problemas sociais vivenciados pelos alunos em suas
comunidades, através de uma organização curricular mais flexível, uma vez
que o próprio currículo deve promover a formação integral, para a vida
humana; não somente em favor do capital e do trabalho.
- Tendo em vista que para
ambos os cursos, o Estágio Curricular Supervisionado não é obrigatório os
PPCs precisam contemplar de modo mais sistemático a vivência de práticas
profissionais pelos alunos. Nesse sentido, sugere-se atividades de
extensão que proporcione a imersão dos alunos em ambientes de trabalho, de
modo mais sistemático que, por exemplo, visitas técnicas. A intenção é que
os alunos possam vivenciar minimamente o cotidiano dos espaços de atuação.
Brasília, 16 de abril
de 2020
Relatores:
Belchior Ribeiro
Leite ___________________________________________________
Fernando Antônio de
Alvarenga Grossi ______________________________________
Ursulina Ataíde Alves
____________________________________________________
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério de
Educação. LDB - Lei no 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as
diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília : MEC, 1996. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm> Acesso em abril de
2020
Brasil. Ministério da
Educação . Base Nacional Curricular Comum. Brasília: MEC. 2017. Disponível
em:http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ . Acesso em: abril de 2020..
SACRISTÁN, José
Gimeno. O que significa o currículo. In: SACRISTÁN, J. G. (Org.). Saberes e incertezas
sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013. p. 9-14.
ZABALA, Antoni - A
PRÁTICA EDUCATIVA: COMO ENSINAR. Porto Alegre, Artmed,1998.

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